Conspiração? Investigação apura mortes de 13 cientistas nos EUA
Congresso e FBI buscam conexão entre casos de pesquisadores nucleares e espaciais mortos ou desaparecidos desde 2022
O governo dos Estados Unidos abriu uma investigação federal para apurar se há relação entre a morte ou o desaparecimento de pelo menos 13 cientistas americanos que trabalhavam em pesquisas nucleares e aeroespaciais.
Os casos se acumularam ao longo de quatro anos, entre 2022 e 2026, e envolvem pesquisadores ligados à NASA, ao Laboratório Nacional de Los Alamos e à Administração Nacional de Segurança Nuclear, entre outras instituições.
O presidente Donald Trump reconheceu a gravidade da situação, mas afirmou que, até o momento, a apuração não encontrou evidências de uma ligação entre os episódios.
Como a investigação começou
O alerta para uma possível série de casos suspeitos partiu de fontes fora do governo.
O youtuber Daniel Liszt, conhecido pelo pseudônimo Dark Journalist, publicou um vídeo relacionando o assassinato do físico português Nuno Gomes Loureiro, diretor do Centro de Ciência de Plasma e Fusão do MIT, morto a tiros em sua residência em Massachusetts em dezembro de 2025, a mortes de outros cientistas que trabalharam no programa de defesa americano conhecido como Iniciativa Estratégica de Defesa.
A influenciadora digital Jessica Reed Kraus ampliou a narrativa ao traçar paralelos entre o caso de Loureiro e o do astrofísico Carl Grillmair, também morto a tiros, em frente à própria casa, na zona rural da Califórnia.
O desaparecimento de William Neil McCasland, ex-major-general da Força Aérea dos EUA de 68 anos, em 27 de fevereiro, deu novo impulso às especulações. McCasland sumiu de sua casa em Albuquerque, no Novo México, deixando para trás óculos de grau, telefone e demais aparelhos eletrônicos.
Acredita-se que tenha levado consigo um revólver calibre .38. Dois meses depois, seu paradeiro permanecia desconhecido. O ex-general havia comandado a base Wright-Patterson, associada ao histórico Caso Roswell, de 1947, o que alimentou teorias sobre programas secretos de armas espaciais.
Em 20 de abril de 2026, o Comitê de Supervisão e Responsabilidade da Câmara dos Representantes anunciou formalmente uma investigação.
O presidente do comitê, James Comer, republicano do Kentucky, declarou no programa Fox & Friends que, a princípio, considerou o assunto “algum tipo de teoria da conspiração maluca”, mas passou a tratar o caso como uma possível questão de segurança nacional.
Dias antes, em 15 de abril, o repórter Peter Doocy havia questionado a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, sobre os casos. Em 17 de abril, Leavitt anunciou que a Casa Branca abriria sua própria investigação.
Os casos e o perfil dos envolvidos
Os episódios apresentam circunstâncias bastante distintas.
O deputado James Comer indicou que a série teria começado em julho de 2023, com a morte de Michael David Hicks, cientista de 59 anos especializado em cometas e asteroides no Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA, na Califórnia.
O pesquisador espacial do mesmo laboratório, Frank Maiwald, faleceu em julho de 2024, sem que a causa da morte tenha sido tornada pública.
Entre os desaparecimentos, estão Anthony Chavez, engenheiro aposentado de Los Alamos com histórico em pesquisas de armas nucleares, que sumiu do Novo México em maio de 2025.
Melissa Casillas, assistente administrativa do mesmo laboratório, vista pela última vez caminhando próximo a uma rodovia em junho de 2025.
Monica Jacinto Reza, diretora de processamento de materiais no JPL, desaparecida durante uma trilha em junho de 2025 na Floresta Nacional de Angeles, na Califórnia.
Steven Garcia, zelador com alto nível de autorização de segurança em uma instalação federal em Albuquerque, sumido em agosto de 2025.
O cientista farmacêutico Jason Thomas desapareceu em dezembro de 2025 e foi encontrado morto em 17 de março deste ano.
O FBI lidera os esforços de investigação em parceria com o Departamento de Energia, o Departamento de Defesa e autoridades estaduais e locais. A NASA informou que coopera com as agências envolvidas, mas declarou não identificar, por ora, nenhuma ameaça à segurança nacional.
Ceticismo e reação das famílias
Parte do Congresso e especialistas em segurança questionam a premissa de que os casos formam um padrão.
O deputado James Walkinshaw, democrata da Virgínia e membro da Comissão de Supervisão, declarou à CNN: “Os Estados Unidos têm milhares de cientistas e especialistas nucleares. Não é o tipo de programa nuclear que um adversário estrangeiro possa impactar significativamente atacando dez indivíduos”.
A ex-agente do FBI Jennifer Coffindaffer afirmou à revista Newsweek que as alegações “desmoronam quando examinadas sob princípios básicos de investigação”.
O jornalista Daniel Engber, da revista The Atlantic, escreveu que “chamar isso de teoria da conspiração seria muito generoso, porque nenhuma teoria abrangente foi apresentada para explicar o padrão dos eventos”.
As famílias dos envolvidos, em sua maioria, rejeitam as especulações. Julia Hicks, filha do cientista Michael David Hicks, disse à CNN: “Pelo que sei do meu pai, não há lógica alguma que o implique nesta possível investigação federal”.
Parentes de Monica Jacinto Reza afirmaram que nenhum representante da Casa Branca ou do FBI os procurou, e descreveram a pesquisadora como “apenas uma pessoa comum que tinha uma família”.
Trump declarou a repórteres que pretende divulgar um relatório completo: “Alguns dos casos que analisamos são muito tristes; em alguns casos, as pessoas estavam doentes. Algumas tiraram a própria vida. Outras tinham outros problemas. É algo muito sério”.
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