Denis Lerrer Rosenfield na Crusoé: Como pensar o Ocidente
Ditaduras que pisoteiam direitos humanos se aproveitam da condescendência das democracias
Pensar o Ocidente, eis uma necessidade urgente de nosso tempo. Tempo esse que está abolindo toda a arquitetura do direito internacional tal como vigorou a partir da Segunda Guerra Mundial, sendo a ONU um dos seus frutos. Essa entidade internacional foi perdendo legitimidade ao ser acaparada por países avessos aos direitos humanos e às liberdades, como o Irã, a Síria, a Venezuela e Cuba, embora se apresentassem como representantes da nova ordem “não colonial”. O Ocidente, cada vez mais enfraquecido, e mesmo acuado, foi se rendendo, não sabendo mais enfrentar a novidade ideológica que se apresentava. Foi pego na armadilha de seus próprios valores por forças que procuravam subvertê-los e pervertê-los.
Exemplo disso foi o Acordo Nuclear com o Irã, patrocinado pela administração de Barack Obama. O presidente democrata deu rédeas soltas aos aiatolás que, graças ao apoio financeiro americano, projetaram-se como potência regional por intermédio de seus satélites Hezbollah, Hamas, Jihad Islâmica, Houthis e da Síria do ditador Bashar Assad. Os líderes ocidentais, em particular os europeus, pactuaram com a rendição de seus próprios valores, fechando os olhos a uma inversão desses princípios, como se assim a paz fosse assegurada. É como se a ordem internacional estivesse garantida, quando já sofria um profundo abalo. Ficou o esqueleto de uma armadura jurídica global, perdendo sua substância.
Ocorre, contudo, que o direito internacional, por definição, é um direito capenga por carecer de um braço armado e policial, capaz de fazer valer as suas decisões. O direito interno a cada país vigora por tribunais, ministérios públicos, polícia e prisões. Todo crime deve ser punido. Na esfera internacional, valem os interesses dos Estados, nenhum abdicando de sua soberania, nenhum aceitando uma força militar estrangeira, seja ela internacional, salvo pela força das armas. Se os interesses que asseguram uma…
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