Josias Teófilo na Crusoé: A origem do sensualismo
Apelo aos sentidos está no barroco, no rococó e no modernismo de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer
O sensualismo está na arte brasileira como um todo. Está na música de Heitor Villa-Lobos e de César Guerra-Peixe. Na escultura de Aleijadinho e na pintura de Candido Portinari. Está na literatura de Machado de Assis e de José Geraldo Vieira. Está na poesia de Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade, sempre como uma marca persistente da sensibilidade nacional.
O sensualismo é o uso de formas exuberantes, de cores vibrantes e do apelo inequívoco aos sentidos, manifestando-se tanto na forma quanto no conteúdo das obras.
Ele está na arte religiosa, no barroco e no rococó. Passa até pelo modernismo de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer. Em tese, o modernismo deveria ser baseado em formas geométricas puras e simples, mas no Brasil esse movimento tomou um caráter sensual, plástico e exuberante, marcado por curvas e pela liberdade formal.
O sensualismo está na arte brasileira antes mesmo de a nacionalidade brasileira existir, quando o país ainda era uma colônia. Os Sermões de Padre Antônio Vieira são um exemplar brilhante do apelo aos sentidos e do sensualismo na forma, como uma igreja barroca.
Paulo Prado, no clássico livro Retratos do Brasil — ensaio sobre a tristeza brasileira, descreve um cenário pictórico em que o “clima constantemente úmido e quente desenvolve uma força e violência de vegetação incomparável”.
A paisagem era exuberante, inóspita e pouco acolhedora, mas própria a paixões avassaladoras e a uma vivência intensa dos sentidos. Paulo Prado escreve o seguinte sobre o período colonial: “O esplêndido dinamismo dessa gente rude obedecia a dois grandes impulsos que dominam toda a psicologia da descoberta e nunca foram geradores de alegria: a ambição do ouro e a sensualidade livre e infrene que, como culto, a Renascença fizera ressuscitar”.
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