Crusoé: O emblema da verdade
Sete anos após censurar Crusoé, STF se afunda em crise pelo que tentou esconder
Crusoé completa oito anos neste mês. É um ano a mais do que o inquérito mais longo da história do Brasil, que marcou a existência da revista com uma espécie de emblema da verdade, uma condecoração por fatos pelos quais esta publicação foi punida por expor, sob a alegação de que eram mentiras.
A revista foi a primeira vítima do inquérito das fake news, por meio do qual o Supremo Tribunal Federal (STF) censurou uma reportagem que apenas relatava uma investigação. A ordem partiu do ministro Alexandre de Moraes, por “claro abuso no conteúdo da matéria veiculada”.
Ao tentar evitar que a verdade circulasse na edição 50 de Crusoé, o STF apenas colaborou para celebrizar o hoje famigerado apelido “o amigo do amigo de meu pai“, com que o empreiteiro Marcelo Odebrecht se referia ao então advogado-geral da União Dias Toffoli.
A reportagem tratava de um pedido de esclarecimento feito pela Polícia Federal à Odebrecht, no âmbito da Operação Lava Jato, para saber a quem ele se referia pelo apelido. A investigação buscava elucidar suspeitas de favorecimento no leilão para a construção de usinas hidrelétricas no rio Madeira, no Amazonas.
Toffoli, que presidia o STF na época da censura, e Moraes, que foi designado pelo colega, sem sorteio, como relator do inquérito das fake news, se apegaram ao fato de que a Procuradoria-Geral da República (PGR) negou ter sido comunicada sobre o surgimento do ex-advogado-geral de Lula na investigação para alegar que tudo na reportagem se tratava de mentira.
“Exmo Sr Ministro Alexandre de Moraes, Permita-me o uso desse meio para uma formalização, haja vista estar fora do Brasil. Diante de mentiras e ataques e da nota ora divulgada pela PGR que encaminho abaixo, requeiro a V. Exa. autorizando transformar em termo esta mensagem, a devida apuração das mentiras recém-divulgadas por pessoas e sites ignóbeis que querem atingir as instituições brasileiras”…
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