Emirados Árabes anunciam saída da Opep
Decisão ocorre em meio à crise energética desencadeada pela guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã
Os Emirados Árabes Unidos anunciaram nesta terça-feira, 28, que irão se retirar da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e da Opep+, que reúne aliados estratégicos do cartel liderado pela Arábia Saudita.
A decisão ocorre em meio à crise energética desencadeada pela guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã.
“Esta é uma decisão política, foi feita depois de um olhar cuidadoso sobre as políticas atuais e futuras relacionadas ao nível de produção”, disse o ministro de Energia dos Emirados Árabes Unidos, Suhail Mohamed al-Mazrouei, à Reuters.
Os Emirados Árabes são o terceiro maior produtor de petróleo da Opep.
Antes da guerra, eles produziam 3,4 milhões de barris de petróleo por dia, o equivalente a 12% da produção total da Opep.
O que explica a decisão dos EAU
Ao Financial Times, o diretor de Oriente Médio do Eurasia Group, Firas Maksad, disse que os Emirados Árabes já vinham há algum tempo demonstrando insatisfação com o cartel.
“Os Emirados não estavam felizes por ter que se restringir, particularmente quando queriam bombear mais e os sauditas queriam bombear menos”, afirmou.
“Algumas das diferenças políticas foram amplificadas por causa de diferentes posições sobre a guerra em reação à ameaça iraniana, com os Emirados Árabes Unidos dobrando sobre os EUA e Israel, enquanto outros estão diversificando e protegendo”, acrescentou.
Para Abu Dhabi, o conflito no Irã revelou em quais parceiros locais os Emirados Árabes poderiam confiar.
Aliado americano, os EAU foram alvo de ataques implacáveis de mísseis e drones iranianos.
Impacto
À Reuters, o estrategista sênior de pesquisa da Pepperstone, Michael Brown, disse que o impacto da saída dos Emirados Árabes da Opep deve ser limitado no curto e médio prazo.
“A meta de produção pré-conflito dos Emirados Árabes Unidos, de 5 milhões de barris por dia em 2027, agora pode se mostrar mais provável de ser alcançada, o que, por sua vez, ajudará os preços de referência do petróleo bruto a se normalizarem mais rapidamente assim que o conflito em curso no Oriente Médio chegar ao fim”, afirmou.
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