Propina a policiais civis durou mais de cinco anos
MP-SP denuncia organização criminosa que pagava agentes desde 2020 para blindar lavagem de dinheiro
O Ministério Público de São Paulo apresentou nesta segunda-feira, 27, denúncia criminal contra 23 pessoas acusadas de integrar uma organização que movimentou bilhões de reais em lavagem de dinheiro com a participação ativa de policiais civis.
A ação, conduzida pelo Gaeco, decorre das apurações da Operação Bazaar, deflagrada no início de março de 2026, e imputa aos réus os crimes de corrupção ativa e passiva, fraude processual e associação criminosa.
Propina sistemática desde 2020
Segundo a denúncia, integrantes do grupo criminoso efetuavam pagamentos regulares a agentes da Polícia Civil responsáveis por investigar o próprio esquema. Os repasses teriam se iniciado em agosto de 2020 e prosseguiram mesmo após a entrada da Polícia Federal no caso.
A acusação identificou tentativas de obstrução à Justiça, como a troca de equipamentos eletrônicos apreendidos e a remoção de documentos com relevância para as investigações.
A rede de corrupção teria alcançado ao menos três estruturas da Polícia Civil paulista: o Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), o Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC) e o 16º Distrito Policial.
Prisões, tornozeleiras e bloqueio de bens
Na peça acusatória, o Gaeco solicita a continuidade das prisões preventivas já em vigor desde a Operação Bazaar. Para os acusados que respondem em liberdade, o MP pede o uso de tornozeleiras eletrônicas e a entrega de passaportes.
Em relação aos policiais civis incluídos na denúncia, o órgão requer ainda o bloqueio de patrimônio e valores de até R$ 5 milhões por pessoa.
A Secretaria de Segurança Pública informou que a Corregedoria da Polícia Civil acompanha e colabora com as apurações.
Em nota, a corporação declarou: “A PC reafirma que não compactua com desvios de conduta por parte de seus integrantes. Todas as medidas legais e disciplinares cabíveis serão adotadas caso sejam confirmadas quaisquer irregularidades”.
O caso segue agora para análise do Poder Judiciário, que decidirá sobre o recebimento da denúncia e a continuidade das medidas cautelares aplicadas aos réus.
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