A Manchester Paulista: cidade do interior paulista com ruas desenhadas por mulas que cresceu mais que qualquer outra
A cidade do interior paulista que cresceu mais que qualquer outra: 23% em 12 anos e ruas desenhadas por mulas no século XVIII
A 90 km da capital, Sorocaba guarda no traçado torto do centro a memória das tropas que vinham do Rio Grande do Sul. Foram os muares que rasgaram os caminhos hoje asfaltados.
As ruas do centro foram traçadas pelas mulas dos tropeiros
O detalhe que poucos visitantes percebem está debaixo dos próprios pés. Entre 1733 e 1897, Sorocaba sediou a Feira de Muares, o maior comércio de burros e mulas do Império Brasileiro, e os animais cruzavam o centro repetidamente até gravar o traçado das ruas.
O caminho seguia da atual Avenida General Carneiro à Rua XV de Novembro, atravessava a ponte do Registro de Animais e seguia rumo à capital. No auge, eram 50 mil animais por ano, segundo registros do Documentário História de Sorocaba publicado pela Câmara Municipal.
A cidade triplicava de tamanho durante os meses de feira, recebia famílias ricas da capital, mascates, ourives e companhias de teatro. O capital acumulado pelas feiras financiou as primeiras fábricas têxteis em 1852.

Vale a pena viver na Manchester Paulista?
Sim. Sorocaba tem 723.682 habitantes segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais gente que nove capitais brasileiras. O salto foi de 23,3% em relação a 2010, o maior crescimento absoluto entre todas as cidades do interior do país no período.
A qualidade de vida aparece nos números oficiais. A Prefeitura de Sorocaba registra o índice em 0,798, considerado muito alto, o que coloca o município como a 47ª melhor cidade do Brasil entre mais de 5,5 mil. A escolarização entre 6 e 14 anos chega a 98,66%, e a cidade tem hospitais regionais como referência.
O apelido de Manchester Paulista nasceu em 1895, quando o jornalista Napoleão Baldy comparou a cidade à metrópole industrial inglesa em texto publicado no Jornal 15 de Novembro. O termo pegou porque a indústria têxtil local importava maquinário diretamente de Manchester, no Reino Unido. Hoje, a produção industrial sorocabana alcança mais de 120 países, com montadoras como Toyota instaladas no município.

O que fazer e onde comer em Sorocaba?
A cidade combina patrimônio tropeiro, parques arborizados e uma cena gastronômica diversa. Algumas atrações imperdíveis:
- Parque Zoológico Municipal Quinzinho de Barros: símbolo da cidade desde 1993, é o 2º maior do Brasil em número de espécies, com 1.145 animais de 290 espécies em 130 mil m². Detalhes oficiais aqui.
- Parque das Águas: o coração da vida ao ar livre, com pista de skate, ciclovia, cachorródromo e palco de eventos como a Festa Junina Beneficente.
- Catedral Metropolitana: erguida sobre a antiga capela colonial, é um dos marcos zero do município e símbolo da fundação em 1654.
- Jardim Botânico Irmãos Villas-Bôas: famoso pelo orquidário e pelas estufas de vidro, fica na Zona Norte e abriga espécies da Mata Atlântica.
- Caminho das Tropas: 25 marcos sinalizam o trajeto histórico dos tropeiros pelo centro, em projeto da Secretaria de Turismo.
Já a cena gastronômica reflete a diversidade de imigração e o gosto pela tradição tropeira. Entre os destaques:
- Feijão tropeiro sorocabano: receita herdada do ciclo do tropeirismo, ainda servida em casas tradicionais e em oficinas culinárias da Biblioteca Municipal durante a Semana do Tropeiro.
- Coxinha sorocabana: petisco virou marca da cidade e é vendido em padarias e botecos do centro como referência local.
- Cozinha italiana: a herança dos imigrantes do século XIX se traduz em cantinas e casas autorais que hoje ocupam o bairro Campolim.
- Carnes e parrillas: a influência sul-americana chegou pelos próprios caminhos do tropeirismo e aparece em casas especializadas em parrilla uruguaia.
Quem planeja um roteiro pelo interior de São Paulo, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal TADI viagem, que conta com mais de 46 mil visualizações, onde Diogo e Tati mostram o que fazer em Sorocaba, visitando pontos como o Jardim Botânico e o Parque das Águas:
128 km de ciclovia atravessam todos os bairros
A malha cicloviária é uma das maiores do Brasil e cruza a cidade no eixo Leste-Oeste e Norte-Sul. Segundo a Prefeitura de Sorocaba, são 128 km que recebem fluxo diário de cerca de 1.400 ciclistas e respondem por 32% da mobilidade não motorizada.
O sistema Integrabike oferece bicicletas públicas gratuitas para maiores de 18 anos cadastrados no transporte coletivo. As estações ficam no Parque das Águas, no Paço Municipal, no Parque do Campolim e em terminais como o Santo Antônio.
A rede também conecta os 23 parques municipais espalhados pelos bairros, transformando a bicicleta em meio de transporte real para quem evita o trânsito das avenidas centrais.
Qual a melhor época para visitar a cidade?
O inverno seco é a estação favorita para passeios ao ar livre, com manhãs frescas e céu aberto. Confira como o clima influencia o que fazer ao longo do ano:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Sorocaba
O acesso a partir da capital paulista é rápido e direto. A Rodovia Castello Branco (SP-280) liga São Paulo a Sorocaba em cerca de 1h30, percorrendo aproximadamente 90 km. A Rodovia Raposo Tavares (SP-270) oferece rota alternativa com paisagem mais arborizada. Para quem vem de fora, os aeroportos de Viracopos e Guarulhos ficam, respectivamente, a cerca de 100 e 130 km do centro.
Vá conhecer a Manchester Paulista
A cidade combina três séculos de história industrial, ruas que ainda obedecem ao trajeto das tropas e uma rede de parques que poucas capitais conseguem oferecer. É um dos raros lugares onde o passado tropeiro convive com montadoras de tecnologia em pé de igualdade.
Você precisa conhecer Sorocaba e caminhar pelo centro sentindo que cada rua torta foi desenhada por séculos de movimento.
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