Wilson Pedroso na Crusoé: O algoritmo de Barcelona e a mordaça de veludo
O Brasil está terceirizando sua inteligência regulatória para burocratas de Bruxelas e Madri
O aperto de mãos entre Lula e Pedro Sánchez em solo espanhol foi vendido como um triunfo da diplomacia “do bem”. No papel, o Pacto de Barcelona promete domesticar as big techs e colocar a Inteligência Artificial a serviço da democracia.
Nos bastidores de Brasília, porém, o clima é de euforia por um motivo menos nobre. O governo acaba de importar um modelo de controle que permite ao Estado sentar-se à mesa dos algoritmos.
O conceito central aqui é a “responsabilidade solidária”. Trata-se de uma armadilha jurídica que obriga as plataformas a agirem como polícias privadas do pensamento alheio.
Mordaça de veludo
Se a rede social não apagar preventivamente o que o governo rotular como “risco”, ela paga a conta. O resultado é a mordaça de veludo: o algoritmo censura você antes mesmo de qualquer juiz ser provocado.
Enquanto a grande imprensa focava na foto oficial, um detalhe estrutural passou batido. O Brasil está terceirizando sua inteligência regulatória para burocratas de Bruxelas e Madri.
Estamos adotando normas europeias que não foram debatidas no nosso Congresso. É a “europeização” forçada do Direito brasileiro, feita por decreto para evitar o desgaste do voto parlamentar.
Lula e Sánchez parecem interpretar uma versão moderna de O Príncipe, de Maquiavel. O filósofo florentino ensinava que o governante deve preferir ser temido a ser amado, mas sempre mantendo as aparências de virtude.
A regulação da IA é a virtude da vez. Sob o pretexto de nos proteger de robôs e mentiras, o Estado constrói um Panóptico onde a vigilância é invisível e constante.
Tecnocracia
Quem ganha poder real é a tecnocracia das agências reguladoras. Eles serão os novos curadores do que você pode ler ou postar no seu celular.
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