Os fiscais de Carlos Bolsonaro
Anúncio de fiscalização de aliados nas redes sociais denota fraqueza do projeto presidencial de Flávio e expõe falta de comando dos filhos do ex-presidente
O anúncio de monitoramento das redes sociais de aliados feito pelo ex-vereador carioca Carlos Bolsonaro (PL, foto) tinha o objetivo de pressionar quem ainda não apoia a pré-candidatura presidencial do irmão Flávio Bolsonaro (PL-RJ), mas acabou indicando a fraqueza do projeto.
Ao cobrar os aliados publicamente, Carlos expôs a falta de apoio ao irmão no próprio PL e, ao mesmo tempo, a falta de comando no bolsonarismo após a prisão do patriarca, já revelada durante a mudança do filho 02 para Santa Catarina, onde ele tentará se eleger senador neste ano.
“A se julgar pelo método de exposição, jogo de palavras ao expor o assunto de algo extremamente legítimo e necessário, afirmo que mais uma vez acertamos em cheio os que tem seus projetos pessoais, parte da tal da mídia independente e alinhados! Sentiram e muito! Estão todos acusando os golpe se revezando como fazem diariamente! Continuaremos com mais afinco ainda!”, disse o ex-vereador após questionamentos sobre sua estratégia, indicando sua convicção na decisão.
“Zerinho!”
O senador Jorge Seif (PL-SC) seguiu a diretriz e cobrou publicamente a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), que é próxima da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, uma das aliadas que tem sofrido mais cobrança dos filhos de Bolsonaro e seus seguidores.
Seif aproveitou um post em que Celina manifestava apoio a Flávio para dizer que “exceto esse tweet Governadora não achei nada…“. “Nenhuma manifestação nem apoio. Zerinho!“, acrescentou.
Ex-secretário do governo de Jair Bolsonaro, o deputado federal Mário Frias (PL-SP) cobrou, por sua vez, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), outro alvo preferencial dos bolsonaristas mais ferrenhos por sua alegada falta de empenho no projeto presidencial.
“O que justifica um político do partido dedicar 1,84% das suas postagens para divulgar o Flávio? Esse é o quanto de esforço o país merece para nos livramos da tirania que prende senhorinha de idade? Claro, mas se falamos o óbvio e fazemos o papel que deveria ser interno, da coordenação do partido, estamos dividindo a direita. Deus me livre incomodar os deuses e perdermos esses incríveis 1,84% de engajamento na campanha do Flávio”, reclamou Frias em seu perfil no X.
“Os apoios devem vir pelo diálogo”
O ex-secretário de Bolsonaro chamava atenção para reportagem da Folha de S.Paulo que sugeriu pouco engajamento de Nikolas nas redes sociais pela pré-campanha de Flávio.
Pré-candidato ao Senado em Goiás, o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) também voltou a ser cobrado de forma mais intensa, inclusive por compartilhar o vídeo da animação de Romeu Zema (Novo), outro pré-candidato à Presidência, que levou o decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, a pedir sua inclusão no inquérito das fake news.
Nikolas divulgou em 1º de março uma carta em que Bolsonaro dizia lamentar “as críticas da própria direita dirigidas a alguns colegas e à minha esposa.”
Na mesma mensagem, o ex-presidente dizia que “numa campanha majoritária, bem como as cobiçadas vagas para o Senado, os apoios devem vir pelo diálogo e convencimento, nunca por pressões ou ataques entre aliados”.
Parte considerável de seus aliados — e filhos — não concorda.
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