Tarcísio: “Talvez gastemos muita energia com polarização que não nos leva a nada”
Governador de São Paulo discursou após receber o Grande Colar da Inconfidência, em cerimônia realizada em Ouro Preto (MG)
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), criticou nesta terça-feira, 21, o governo federal – sem citar diretamente o presidente Lula (PT) – e a polarização política no Brasil, durante discurso na cerimônia, em Ouro Preto (MG), na qual rececebeu o Grande Colar da Inconfidência Mineira.
O colar é a maior honraria entregue pelo estado de Minas Gerais, destinada, exclusivamente, aos chefes de Estado e de outros Poderes. Foi criada em 1952 pelo então governador Juscelino Kubitschek e é, tradicionalmente, entregue todo 21 de abril, Dia de Tiradentes.
“Hoje sentimos as mazelas do patrimonialismo que captura o Estado. Estado que vem sendo interpelado pelos interesses daqueles que não se sentem representados pelas decisões majoritárias. Lidamos com a ineficiência na alocação de recursos, consubstanciado em um Orçamento público deformado, que privilegia a política de paróquia em detrimento dos eixos estruturantes”, disse Tarcísio, no discurso.
“Não entendemos ainda como as nossas vocações, se bem aproveitadas, podem reduzir as desigualdades, aumentar em muito a nossa produtividade, tema tão pouco debatido. Ainda não entendemos bem o papel do setor público, que não pode fazer tudo sozinho. A reflexão que precisamos fazer é sobre o porquê dessas inflexões”.
Tarcísio prosseguiu: “Talvez o processo de substituição política no Brasil venha sendo demasiadamente lento. Talvez isso concorra para perda gradual de qualidade da representação. Talvez gastemos muita energia com a polarização que não nos leva a nada. Talvez tenhamos uma midiatização exacerbada da vida nacional, enquanto a liderança parece estar cada vez menos conectada aos anseios reais do povo“.
Ainda de acordo com o governador, são inúmeras as vocações dos brasileiros e, se forem corrtamente exploradas, o país poderá sonhar com a redução das desigualdades, com o crescimento consistentes, com a prosperidade e com a justiça social.
“Ter um bom diagnóstico da história é fundamental para projetar o futuro. Então, eu pergunto: se os inconfidentes estivessem aqui, agora, o que diriam para nós? Diriam provavelmente que não podemos cair na tentação de capturar o Estado. Que país forte se faz com instituições fortes. Com freios e contrapesos que funcionem de verdade”.
Tarcísio é pré-candidato à reeleição neste ano. Aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ele deve enfrentar nas urnas o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), que tem o apoio de Lula.
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