“Aqueles que se julgam intocáveis não toleram piada”, diz Zema
Ex-governador diz que investigação foi motivada por sátira e alerta sobre "liberdade de expressão"
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) afirmou nesta segunda, 20, ser alvo de perseguição por parte do Supremo Tribunal Federal (STF), após o ministro Gilmar Mendes pedir ao colega Alexandre de Moraes, por meio de notícia-crime, a inclusão do seu nome no famigerado inquérito das fake news.
Em vídeo publicado no X, Zema disse que a investigação foi motivada por uma sátira e criticou a atuação da Corte.
“O STF está me perseguindo por conta de uma sátira, uma ironia contra os intocáveis. Calma que agora não é mais brincadeira, agora é sim papo sério. (…) O que eles chamam de inquérito dão um nome bonito para parecer juridicamente aceitável. Na verdade, é só um passe livre para fazer o que eles bem entenderem. Eles são, ao mesmo tempo, a vítima, o acusador e o juiz. E não existe ninguém que possa mudar isso hoje. E tudo isso por quê? Por conta de um vídeo de satirizando o envolvimento do STF com o Banco Master, que para mim e para todo o Brasil não é só uma piada, é uma ligação, uma conexão muito clara, mas esse nem é o ponto aqui mais importante.“
O ex-governador mencionou antigos humoristas para analisar o atual cenário da liberdade de expressão no país. Segundo Zema, os ministros do STF não “toleram qualquer tipo de piada”.
“O mais importante aqui é o que a gente pode fazer num país onde quem está no poder não pode mais ser satirizado ou questionado. Eu cresci, como muitos vendo grandes humoristas, cartoonistas, questionando o poder, Charles Chaplin, Caceta e Planeta e tantos outros. Mas hoje aqueles que se julgam intocáveis não toleram mais qualquer tipo de piada. O nome da série que minha equipe fez chama justamente ‘Os intocáveis’. E com essa tentativa de me perseguir, eles mostram que são exatamente isso. Fico triste, não de estar sendo perseguido, tenho tranquilidade de que estou do lado certo da história e também não vivo da política.“
“Eu fico triste mesmo por ver um país que está definhando, que não garante o mínimo de liberdade de expressão pro seu povo. Não é esse o Brasil que eu quero para os meus filhos. Eu quero sim um Brasil livre dessa farra dos intocáveis. Afinal, como disse George Orwell, se a liberdade significa alguma coisa, Sim, sobretudo o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir. Meu nome é Zema e mais essa ameaça não vai me parar. Vamos em frente contra quem mantém o governo rico e o povo pobre, contra os intocáveis”, acrescentou.
Pedido sigiloso
Como de costume, o pedido é sigiloso e já foi encaminhado para a Procuradoria Geral da República (PGR) para posicionamento. A PGR é comandada por Paulo Gonet, ex-sócio de Gilmar no IDP.
O decano do STF não gostou de um dos vídeos da série de animação “Os Intocáveis”, publicada por Zema nas redes sociais para criticar os ministros do Supremo.
No segundo episódio, o boneco alusivo a Dias Toffoli pede ajuda do boneco alusivo a Gilmar após a CPI do Crime Organizado quebrar o sigilo da Maridt, da qual Toffoli é sócio.
Sátira
O decano do STF, que não tinha nenhuma ligação formal com o caso, suspendeu a quebra do sigilo por meio de um subterfúgio: ressuscitou um processo antigo para expedir um habeas corpus, atropelando a relatoria de André Mendonça, que cuida do caso do Banco Master no Supremo.
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) pediu o indiciamento de Gilmar no relatório da CPI do Crime Organizado por conta dessa interferência. O relatório não foi aprovado, graças a uma manobra do governo Lula, mas o decano do STF pediu investigação de Vieira por abuso de autoridade.
Na animação publicada por Zema, Gilmar pede uma cortesia no resort Tayayá, símbolo da relação de Toffoli com o Master, como retribuição pela ajuda que deu ao colega.
Para o decano do STF, a animação publicada por Zema “vilipendia não apenas a honra e a imagem deste Supremo Tribunal Federal, como também da minha própria pessoa”. Ele segue:
“Valendo-se de sofisticada edição profissonal e de avançados mecanismos de ‘deep fake’, o vídeo emula vozes de ministros da Suprema Corte para travar diálogo que, além de inexistente, tem como claro intuito vulnerar a higidez desta instituição da República, com objetivo de realizar promoção pessoal.”
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