BRB foi vítima de fraude de Paulo Henrique Costa, diz Celina Leão
Governadora disse ter "CPF diferente" de Ibaneis Rocha, mas afirmou que não poderia responsabilizá-lo pelas negociações
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou que o Banco de Brasília (BRB) foi vítima de uma fraude praticada pelo ex-presidente da instituição financeira, Paulo Henrique Costa, preso pela Polícia Federal (PF) no último dia 16.
De acordo com a PF, Costa recebeu R$ 146 milhões de propina paga pelo banqueiro Daniel Vorcaro por meio da transferência de seis imóveis de luxo. Os repasses estariam vinculados à tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB, operação que passou a ser questionada após alertas de irregularidades.
“Era vaidoso demais, um homem muito ligado ao status. Eu acho que ele confundiu a figura do que é ser banqueiro do que é ser bancário. Foi mais ou menos nisso que ele se perdeu”, disse ao Estadão.
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Ibaneis Rocha
A governadora afirmou que não é possível responsabilizar o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB), que apoiou a compra do Banco Master pelo BRB, pelas irregularidades. No entanto, destacou que não foi consultada sobre a operação.
“São dois CPFs totalmente diferentes, o meu CPF e o CPF do governador Ibaneis, cada um tem um. O que a oposição vai falar de mim pode ser rebatido facilmente, porque o escândalo do Caso Master está dentro do coração do PT no Planalto”, disse Celina.
Entenda
A Polícia Federal prendeu na última quinta-feira, 16, o ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB). Ele é um dos alvos da quarta fase da Operação Compliance Zero.
À frente do BRB de 2019 a 2025, Paulo Henrique Costa é suspeito de não seguir práticas de governança e permitir negócios com o Banco Master.
O banco público pagou 12,2 bilhões de reais por carteiras sem lastro em operações reais do banco de Daniel Vorcaro. O executivo foi afastado do banco em novembro do ano passado, após a primeira fase da operação. Nesta nova fase da operação, a PF cumpre dois mandados de prisão e sete de busca e apreensão, em São Paulo e no Distrito Federal.
A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que embasou a operação aponta que o então presidente do Banco de Brasília (BRB) manteve e acelerou operações sob suspeita mesmo após alertas internos sobre inconsistências nas carteiras negociadas.
“Sob a primeira perspectiva, a representação indica que Paulo Henrique Costa, ciente de inconsistências relevantes nas carteiras ofertadas ao BRB desde o final de 2024, teria chancelado a continuidade e a aceleração das operações“, aponta a decisão.
Ao longo da decisão, Mendonça afasta a tese de erro de gestão e sustenta que os elementos reunidos apontam para algo mais grave. “Não se cuida de erro isolado ou de deficiência de governança”, afirma o ministro.
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