Vieira ecoa Fachin e defende trabalho da CPI: "Quem não deve, não teme"

17.04.2026

logo-crusoe-new
O Antagonista

Vieira ecoa Fachin e defende trabalho da CPI: “Quem não deve, não teme”

avatar
Redação O Antagonista
5 minutos de leitura 17.04.2026 17:32 comentários
Brasil

Vieira ecoa Fachin e defende trabalho da CPI: “Quem não deve, não teme”

Relator da CPI diz que comissão pode investigar “tudo e todos” dentro da pertinência temática

avatar
Redação O Antagonista
5 minutos de leitura 17.04.2026 17:32 comentários 0
Vieira ecoa Fachin e defende trabalho da CPI: “Quem não deve, não teme”
Foto: Lula Marques/ Agência Brasil.

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) reproduziu, nesta sexta-feira, 17, uma declaração do ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), na qual o magistrado nega a existência de uma crise entre os Poderes Legislativo e Judiciário.

Em publicação no X, Vieira afirmou que o debate atual gira em torno do alcance de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), mas que o colegiado tem o dever de investigar “tudo e todos”, desde que respeitada a pertinência temática.

“O ministro Fachin, presidente do STF, coloca a situação nos termos certos: não há crise institucional, há discussão sobre alcance de uma CPI, mas o próprio ministro já aponta a resposta: 1. Quem não deve, não teme e 2. Uma CPI pode investigar tudo e todos, desde que com pertinência temática. No caso concreto, a pertinência temática foi definida pelo colegiado”, escreveu o relator da CPI do Crime Organizado.

“Quem nada deve, nada teme”

Em entrevista nesta sexta, 17, Fachin descartou uma crise institucional entre o Judicário e o Legislativo após o pedido de indiciamento, por parte da CPI do Crime Organizado, dos ministros Edson Fachin, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.

Segundo o presidente do STF, há apenas “compreensões distintas sobre a abrangência e a pertinência temática” das CPIs.

“Mas, de modo algum, se colocou em questão, e não se deve colocar em questão, a importância do Parlamento fiscalizar todos e todas instituições por meio de CPI. Quem nada deve, nada teme. E, portanto, não há crise institucional. Há percepções distintas. O caminho de indiciamento por conta de decisão judicial nos parece que não é um caminho adequado. Eu defendo que, quando não se concorda com dada decisão, o caminho adequado é o recurso. É recorrer, contestar, impugnar, e não atacar a própria institucionalidade”, disse.

Vieira apresenta defesa

Na quinta, 16, Vieira informou ter apresentado a resposta ao ofício apresentado pelo ministro Gilmar Mendes, do STF,  junto à Procuradoria-Geral da República (PGR), que pede a investigação do parlamentar por suposto abuso de autoridade.

Em postagem na rede social X, Vieira afirmou ter se antecipado à intimação e declarou que “quem trabalha com lei e verdade não tem problema em responder qualquer questão”.

“Mesmo sem intimação, já apresentei resposta ao ofício do ministro Gilmar Mendes que pede ao PGR que me processe por abuso de autoridade. O pedido é imprestável, conforme opinião do próprio ministro Gilmar Mendes”, escreveu no X.

Linguagem e imunidade parlamentar

Na manifestação enviada à PGR, o senador critica a linguagem utilizada pelo ministro no pedido de investigação.

“O ofício ministerial tenta construir esse elemento subjetivo por meio de expressões como “ardilosamente”, “rudimentar jogo de palavras” e “teratologia”. Essas qualificações, contudo, são manifestações opinativas do próprio interessado – que, vale ressaltar, é ao mesmo tempo requerente e suposto ofendido -, e não elementos probatórios idôneos a demonstrar a finalidade específica exigida pela lei.”

Vieira defende sua atuação como relator da CPI do Crime Organizado que, segundo o parlamentar, apresentou um diagnóstico abrangente do cenário no país.

“Não há como imputar a um trabalho dessa envergadura a finalidade de mero capricho ou satisfação pessoal”, diz.

O senador também afirma que sua atuação está protegida pela imunidade parlamentar prevista na Constituição Federal.

“A elaboração de uma minuta de relatório final em Comissão Parlamentar de Inquérito constitui, por natureza, a manifestação da opinião técnico-política do parlamentar relator. (…) A apresentação do relatório é, por excelência, um ato tipicamente parlamentar”, afirma.

No texto, a defesa cita dois precedentes do próprio ministro Gilmar Mendes que, segundo Vieira, “firmam a jurisprudência aplicável ao caso”.

Ofício

Gilmar representou junto à PGR solicitando a investigação do senador por suposto abuso de autoridade.

A iniciativa ocorreu após Vieira, na condição de relator da CPI do Crime Organizado, pedir o indiciamento do decano do STF em relatório final.

A proposta acabou rejeitada por 6 a 4.

“Sendo certo o desvio de finalidade praticado pelo Senador Relator da CPI do Crime Organizado e a potencial incidência de sua conduta nos tipos penais descritos na Lei 13.869/2019 e em outros marcos repressivos criminais, requerse a apuração destes acontecimentos e a adoção das medidas cabíveis”, diz trecho.

Na manifestação, Gilmar afirma que o relatório “vale-se de juvenil jogo de palavras envolvendo os crimes de responsabilidade” para, segundo ele, sugerir que caberia à CPI “realizar indiciamentos a respeito dessa temática, quando isso não corresponde à realidade.”

“A teratologia da referida minuta de Relatório Final nesse particular é patente não somente porque, sob o ponto de vista material, (i) a proposta de indiciamento não encontra guarida em dados concretos, como também porque, sob o ponto de vista processual, (ii) referida proposição em nada se correlaciona com o escopo investigativo inicialmente delineado por seus integrantes e, (iii) de forma hialina, percebe-se que as alegações lá formuladas não correspondem às searas penal e processual penal, mas à administrativa”, disse.

  • Mais lidas
  • Mais comentadas
  • Últimas notícias
1

Prisão de advogada em Goiás gera reação política e mobiliza OAB

Visualizar notícia
2

CPI da Pandemia fez o que Gilmar alega ser abuso de autoridade

Visualizar notícia
3

Vieira se defende perante a PGR contra Gilmar

Visualizar notícia
4

Crusoé: Gilmarlândia

Visualizar notícia
5

ICE informa à PF que Ramagem pode aguardar processo de asilo em liberdade

Visualizar notícia
6

Tarcísio explica foto com funkeiro preso em operação da PF

Visualizar notícia
7

“Não é uma briga, é ataque unilateral”, diz Nikolas sobre Eduardo

Visualizar notícia
8

Crime de hermenêutica no Congresso

Visualizar notícia
9

Caso Tagliaferro: Defensoria pede anulação de decisão de Moraes

Visualizar notícia
10

Crusoé: Como uma democracia iliberal morre

Visualizar notícia
1

Crusoé: Gilmarlândia

Visualizar notícia
2

Anielle Franco cogita processar vice do PT por convite a Silvio Almeida

Visualizar notícia
3

Senador quer colocar o Pix na Constituição

Visualizar notícia
4

Vieira se defende perante a PGR contra Gilmar

Visualizar notícia
5

“Sempre que alguém enfrenta o sistema, a reação é violenta”, diz Vieira

Visualizar notícia
6

Passagem de navios comerciais por Ormuz está "completamente aberta", diz Irã

Visualizar notícia
7

A tela do elevador está roubando o lugar do síndico na comunicação

Visualizar notícia
8

AGU está a serviço de Erika Hilton?

Visualizar notícia
9

Fachin admite crise no Judiciário: "Precisa ser enfrentada"

Visualizar notícia
10

Lenda do basquete brasileiro, Oscar Schmidt morre aos 68 anos

Visualizar notícia
1

“Carteirada” de Gilmar Mendes rasga a Constituição, diz jurista Wálter Maierovitch

Visualizar notícia
2

Deltan rebate “fake news” de Pedro Rousseff sobre inelegibilidade

Visualizar notícia
3

“Isso quebra um país”, diz CEO da Renner sobre taxa das blusinhas

Visualizar notícia
4

Veja quais signos mais venceram o BBB e quem “sai na frente” em 2026

Visualizar notícia
5

Trump diz ter recebido ligação da Otan: “Agora não quero nada”

Visualizar notícia
6

PF liga empresa de Marçal a funkeiro MC Ryan

Visualizar notícia
7

Acórdão do TSE não define modelo de eleição-tampão no RJ

Visualizar notícia
8

Ensopado: 4 receitas práticas e deliciosas para o outono 

Visualizar notícia
9

PF investiga Deolane Bezerra por suspeita de lavagem de dinheiro em esquema com funkeiros

Visualizar notícia
10

Defesa de Filipe Martins contesta decisão de Moraes

Visualizar notícia

< Notícia Anterior

Adeus a lenda do basquete brasileiro: Morre Oscar Schmidt aos 68 anos

17.04.2026 00:00 4 minutos de leitura
Próxima notícia >

Financiamento imobiliário: quando vale a pena insistir ou desistir?

17.04.2026 00:00 4 minutos de leitura
avatar

Redação O Antagonista

Suas redes

Instagram

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (0)

Torne-se um assinante para comentar

Icone casa

Seja nosso assinante

E tenha acesso exclusivo aos nossos conteúdos

Apoie o jornalismo independente. Assine O Antagonista e a Revista Crusoé.