Colômbia tenta proibir mutilação genital em meninas indígenas

17.04.2026

logo-crusoe-new
O Antagonista

Colômbia tenta proibir mutilação genital em meninas indígenas

avatar
Redação O Antagonista
3 minutos de leitura 17.04.2026 15:56 comentários
Cultura

Colômbia tenta proibir mutilação genital em meninas indígenas

Projeto de lei tramita no Congresso e precisa ser aprovado até junho; prática causa mortes de bebês por hemorragia e infecção

avatar
Redação O Antagonista
3 minutos de leitura 17.04.2026 15:56 comentários 0
Colômbia tenta proibir mutilação genital em meninas indígenas
Mulheres da comunidade embera-chamí. Freddy Cabarcas (UNFPA Colombia)

Um projeto de lei tramita no Congresso da Colômbia com o objetivo de proibir a mutilação genital feminina praticada em comunidades indígenas do país. A proposta, apresentada por líderes Embera e parlamentares, precisa ser aprovada pelo Senado até o dia 20 de junho, quando encerra o período legislativo. A prática, restrita principalmente ao departamento de Risaralda, no oeste do país, afeta centenas de meninas e já causou mortes por hemorragia e infecção.

Bebês morrem sem registro

Nas terras ancestrais dos povos Embera Chamí e Katío, parteiras realizam a ablação do clitóris em recém-nascidas com navalhas ou pregos aquecidos em água fervente. O procedimento ocorre em ambientes fechados e envolve sigilo absoluto.

Segundo a ONG Equality Now, entre 2020 e 2025 foram registradas 204 mutilações genitais na Colômbia, único país da América Latina onde a prática é documentada. Os números reais, no entanto, são desconhecidos: “Há uma subnotificação incrível”, afirma Sarita Patiño, médica de um hospital em Pueblo Rico que concentra casos de ablação.

Francia Giraldo, líder Embera e uma das principais defensoras do projeto, descreve um cenário de mortes invisíveis: meninas que “sangram até morrer” e são enterradas pelas próprias famílias sem qualquer registro de nascimento ou óbito. Sob a jurisdição indígena, a mutilação é formalmente punida, mas os casos permanecem encobertos.

Prevenção sem prisão

O texto do projeto não prevê pena de prisão para as parteiras, tratadas como vítimas da falta de informação. A proposta consiste em ações de prevenção e formação pedagógica nas comunidades. Não enfrenta oposição no Congresso, mas corre contra o prazo.

A parlamentar e historiadora Carolina Giraldo, autora do projeto, sustenta que a prática tem origem africana e chegou às comunidades indígenas por transmissão cultural durante o período colonial. Segundo a ONU, a mutilação genital ocorre em 33 países, e em 2024 o órgão estimou que 230 milhões de mulheres no mundo já foram submetidas ao procedimento.

As consequências para quem sobrevive são permanentes. A Organização Mundial da Saúde classifica a remoção total ou parcial do clitóris como uma violação dos direitos fundamentais, capaz de provocar sequelas graves. Etelbina Queragama, moradora de 63 anos da região, resume o impacto na própria vida: “Nunca senti nada” durante as relações sexuais, “apenas dores”.

  • Mais lidas
  • Mais comentadas
  • Últimas notícias
1

Prisão de advogada em Goiás gera reação política e mobiliza OAB

Visualizar notícia
2

CPI da Pandemia fez o que Gilmar alega ser abuso de autoridade

Visualizar notícia
3

Vieira se defende perante a PGR contra Gilmar

Visualizar notícia
4

Crusoé: Gilmarlândia

Visualizar notícia
5

ICE informa à PF que Ramagem pode aguardar processo de asilo em liberdade

Visualizar notícia
6

Tarcísio explica foto com funkeiro preso em operação da PF

Visualizar notícia
7

“Não é uma briga, é ataque unilateral”, diz Nikolas sobre Eduardo

Visualizar notícia
8

Caso Tagliaferro: Defensoria pede anulação de decisão de Moraes

Visualizar notícia
9

Crime de hermenêutica no Congresso

Visualizar notícia
10

Crusoé: Como uma democracia iliberal morre

Visualizar notícia
1

Crusoé: Gilmarlândia

Visualizar notícia
2

Anielle Franco cogita processar vice do PT por convite a Silvio Almeida

Visualizar notícia
3

Senador quer colocar o Pix na Constituição

Visualizar notícia
4

Vieira se defende perante a PGR contra Gilmar

Visualizar notícia
5

“Sempre que alguém enfrenta o sistema, a reação é violenta”, diz Vieira

Visualizar notícia
6

Passagem de navios comerciais por Ormuz está "completamente aberta", diz Irã

Visualizar notícia
7

A tela do elevador está roubando o lugar do síndico na comunicação

Visualizar notícia
8

AGU está a serviço de Erika Hilton?

Visualizar notícia
9

Fachin admite crise no Judiciário: "Precisa ser enfrentada"

Visualizar notícia
10

Lenda do basquete brasileiro, Oscar Schmidt morre aos 68 anos

Visualizar notícia
1

“Isso quebra um país”, diz CEO da Renner sobre taxa das blusinhas

Visualizar notícia
2

Veja quais signos mais venceram o BBB e quem “sai na frente” em 2026

Visualizar notícia
3

Trump diz ter recebido ligação da Otan: “Agora não quero nada”

Visualizar notícia
4

PF liga empresa de Marçal a funkeiro MC Ryan

Visualizar notícia
5

Acórdão do TSE não define modelo de eleição-tampão no RJ

Visualizar notícia
6

Ensopado: 4 receitas práticas e deliciosas para o outono 

Visualizar notícia
7

PF investiga Deolane Bezerra por suspeita de lavagem de dinheiro em esquema com funkeiros

Visualizar notícia
8

Defesa de Filipe Martins contesta decisão de Moraes

Visualizar notícia
9

Como são os taurinos? Confira as características do signo de Touro

Visualizar notícia
10

Bolsonaro tem “boa evolução do quadro pulmonar e digestivo”, diz médico

Visualizar notícia

Tags relacionadas

cultura direitos das mulheres sociedade violência contra as mulheres
< Notícia Anterior

STF forma maioria para manter cassação de Rodrigo Bacellar

17.04.2026 00:00 4 minutos de leitura
Próxima notícia >

O erro de quem monta uma casa inteligente sem pensar em compatibilidade entre marcas e protocolos

17.04.2026 00:00 4 minutos de leitura
avatar

Redação O Antagonista

O Antagonista é um dos principais sites jornalísticos de informação e análise sobre política do Brasil. Sua equipe é composta por jornalistas profissionais, empenhados na divulgação de fatos de interesse público devidamente verificados e no combate às fake news.

Suas redes

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (0)

Torne-se um assinante para comentar

Icone casa

Seja nosso assinante

E tenha acesso exclusivo aos nossos conteúdos

Apoie o jornalismo independente. Assine O Antagonista e a Revista Crusoé.