Chappelle acusa republicanos de explorar seu humor sobre trans
Comediante diz que partido e parlamentares têm utilizado suas piadas como ferramenta política sem sua aprovação
“Fiquei ressentido que o Partido Republicano fez campanha em cima de piadas sobre transgêneros. Senti que eles estavam usando uma versão instrumentalizada do que eu fazia. Não era isso que eu fazia”, disse o comediante americano Dave Chappelle em entrevista ao programa Newsmakers, da rádio NPR.
O encontro no Capitólio
Chappelle contou um episódio com a deputada republicana Lauren Boebert nas dependências do Congresso americano. Segundo ele, Boebert o abordou e pediu uma foto. O comediante aceitou sem perguntar — havia posado para cerca de 40 imagens naquele dia e, nas suas palavras, “não queria dizer não na frente de todo mundo”. “Não me veio à cabeça a frase ‘recuso respeitosamente’”, afirmou.
A imagem foi publicada por Boebert antes mesmo de Chappelle deixar o local. A legenda, segundo ele, dizia algo como: “Duas pessoas que sabem que só existem dois gêneros”.
Ao chegar à arena onde se apresentaria, o comediante disse ter confrontado a parlamentar diretamente: “Instantaneamente, foi como se ela tivesse usado isso como arma ou politizado a situação. Ela jamais deveria ter feito isso com alguém como eu”, declarou.
Polêmica antiga, novos desdobramentos
O nome de Chappelle esteve associado a controvérsias por conta de especiais de stand-up exibidos pela Netflix. Em 2021, o especial “The Closer” gerou protestos de membros da comunidade LGBTQIA+. Até funcionários da Netflix ficaram revoltados. Em 2023, o especial “Sonhador” reacendeu o debate ao abordar o mesmo tema.
As declarações à NPR marcam uma distinção que o próprio Chappelle faz entre seu trabalho artístico e o uso político que terceiros fizeram dele. Para o comediante, há uma diferença entre tratar o assunto no palco, dentro de um contexto humorístico, e empregá-lo como bandeira em campanhas eleitorais. O debate não é novo e, pelo jeito, não tem hora para acabar.
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