Nunes Marques abre inquérito sobre ministro do STJ
Ministro afastado Marco Buzzi é acusado de importunação sexual
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Nunes Marques determinou nesta terça-feira, 14, a abertura de um inquérito criminal sobre a conduta do ministro afastado do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marco Buzzi.
Buzzi é acusado de importunação sexual.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) enviou ao Supremo, em 31 de março, uma manifestação dizendo haver “elementos suficientes para instauração do inquérito”.
O caso tramita sob sigilo.
Afastamento
O plenário do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu por unanimidade, em 10 de fevereiro, afastar cautelarmente o ministro Marco Buzzi após ele ter sido acusado de casos de importunação sexual.
Segundo o tribunal, o afastamento tem caráter cautelar, temporário e excepcional. Durante esse período, Buzzi ficará impedido de utilizar o gabinete, veículo oficial e outras prerrogativas ligadas ao exercício da função.
Apesar disso, ele continua recebendo seu salário de 44 mil reais.
Procedimentos administrativos contra Buzzi
Buzzi é alvo de dois procedimentos disciplinares no Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Um deles envolve uma jovem de 18 anos, filha de um casal de amigos do ministro. Ela acusa Buzzi de tentar agarrá-la durante um banho de mar.
O episódio teria ocorrido em janeiro, quando o ministro, a jovem e seus pais passavam férias em Balneário Camboriú, litoral de Santa Catarina.
O que diz o ministro
Em carta enviada a colegas, Buzzi afirmou estar “impactado” com a divulgação das acusações e diz que permaneceu em silêncio até agora por estar internado, sob acompanhamento cardíaco e emocional. Na carta, ele declara que jamais adotou uma “conduta que envergonhasse a família”.
“Creio que, nos procedimentos já instaurados, demonstrarei minha inocência.
Tenho quase 70 anos de idade, trajetória pessoal e profissional ilibadas, casamento feliz, de 45 anos, que frutificou três filhas amorosas e minha família está coesa ao meu lado. Jamais adotei conduta que envergonhasse a família ou maculasse a magistratura”, declarou ele.
Ele relata ter tomado conhecimento “de modo informal” dos fatos que lhe são atribuídos e afirma repudiá-los.
O ministro também lamentou o que chama de desgaste para o STJ e afirma estar submetido a “dor, angústia e exposição que ninguém desejaria vivenciar”. Ele critica a divulgação precoce de informações e agradece aos que, segundo escreveu, lhe concederam “o benefício da dúvida”.
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