Câmera subaquática a 700 m de profundidade flagra ‘polvo panqueca’ e choca cientistas
Raro de observar, o polvo panqueca surge no escuro do oceano com um nado hipnótico e grande valor científico
Um pequeno polvo gelatinoso com aparência de brinquedo flutuando no escuro do oceano chamou a atenção nas redes sociais em 2026. Conhecido como Oomendako no Japão e popularmente chamado de flapjack octopus (Opisthoteuthis californiana), ele foi registrado a cerca de 700 metros de profundidade perto de Rausu, em Hokkaido, exibindo corpo achatado e braços conectados por uma membrana que lembram um paraquedas em câmera lenta.
O que é o Oomendako, o chamado polvo-umbela gelatinoso?
O Oomendako pertence ao gênero Opisthoteuthis, grupo de polvos de corpo mole, aspecto gelatinoso e braços interligados por uma membrana ampla que forma quase um disco quando totalmente aberta. Em vez da silhueta típica de polvos costeiros, esse formato achatado, que inspirou o nome “flapjack” (panqueca), favorece o deslocamento estável em águas profundas.
Na natureza, o polvo-umbela ocorre principalmente no Pacífico Norte, com registros ao largo da Califórnia, Canadá, Alasca e em regiões profundas próximas ao Japão. Ele ocupa faixas de profundidade entre 500 e 1.500 metros, onde a luz solar não chega diretamente, a pressão é elevada, a temperatura é baixa e o ritmo de vida é mais lento.
Como é o comportamento, a alimentação e a forma de nado do polvo-umbela?
O modo de locomoção do Oomendako combina batidas regulares das nadadeiras laterais com ondulações suaves da membrana que une os braços, criando uma movimentação contínua, quase como se estivesse suspenso em uma corrente invisível. Esse nado econômico contrasta com os impulsos a jato típicos de outros polvos costeiros.
A dieta é composta principalmente por pequenos crustáceos, copépodes, anfípodes e vermes marinhos presentes na coluna d’água ou próximos ao fundo. Em vez de perseguir presas em alta velocidade, o polvo-umbela costuma deslocar-se lentamente ou ficar à espreita, podendo envolver o alimento com o “guarda-chuva” formado pelos braços unidos pela membrana.
Confira o vídeo:
オオメンダコ
— 伊藤昌平|ナガヅエエソ (@7segLED) April 12, 2026
名前の通り大きなメンダコの仲間。
バスケットボールくらいの大きさ。
ふわりふわりと泳ぐ姿がとても神秘的。
とてもゆったりと動いていました。
学名:Opisthoteuthis californiana
撮影:羅臼沖| 水深700m
(再編集・再掲) pic.twitter.com/qAZrYaVitP
Por que o vídeo do flapjack octopus em Rausu se tornou tão popular?
O registro em Rausu reuniu tecnologia de filmagem em alta profundidade, um animal de aparência pouco familiar e o ambiente escuro do oceano, resultando em uma cena altamente compartilhável. O drone subaquático da empresa japonesa FullDepth permitiu acompanhar o Oomendako em detalhe, algo ainda raro em espécies de águas profundas.
A popularização de conteúdos de vida marinha nas redes sociais favorece a viralização de animais “fofos” ou de aspecto “extraterreno” em ambientes extremos. A gravação também reforça o papel do Japão como polo de pesquisa em ecossistemas abissais, com investimentos em veículos robóticos e observação remota.
Quais são as principais características do habitat e da estrutura do Oomendako?
As condições extremas do ambiente profundo moldam características físicas e comportamentais desse polvo. Seu corpo gelatinoso, de baixa densidade, contribui para flutuação neutra e menor gasto de energia, enquanto os braços curtos ligados por membrana garantem maior estabilidade no nado.
Essas adaptações podem ser resumidas em alguns pontos-chave que ajudam a entender como a espécie vive e se movimenta nas grandes profundidades.
Águas entre 500 e 1.500 metros
Esse animal vive em regiões profundas do Pacífico Norte, em faixas onde a luz quase não chega e a pressão é muito elevada.
Corpo comparável a uma bola de basquete
Alguns indivíduos podem atingir um volume corporal semelhante ao de uma bola de basquete, o que ajuda a dimensionar seu porte incomum.
Corpo macio com braços curtos e membrana ampla
A estrutura é mole e gelatinosa, com braços curtos interligados por uma membrana larga que dá ao animal uma aparência muito característica.
Nadadeiras laterais e gestos suaves dos braços
O deslocamento acontece com o uso de nadadeiras laterais e movimentos suaves dos braços, em uma natação lenta e controlada.
Crustáceos pequenos e vermes marinhos
A dieta inclui copépodes, anfípodes, pequenos crustáceos e vermes marinhos, capturados no ambiente profundo onde vive.
Qual é a importância científica de observar o Oomendako em seu habitat natural?
Cada novo registro de Opisthoteuthis californiana em ambiente natural ajuda a preencher lacunas sobre comportamento, distribuição e adaptações fisiológicas. As imagens permitem analisar padrões de nado, postura, reação à luz e interações com outras espécies, aspectos difíceis de reproduzir em laboratório.
Esses dados são valiosos para estudos sobre adaptações à alta pressão, economia de energia em áreas com pouco alimento e possíveis impactos de mudanças climáticas, pesca de arrasto profunda e exploração mineral.
Ao mostrar o polvo-umbela nadando calmamente perto de Rausu, o vídeo evidencia como tecnologias de observação remota ampliam o conhecimento sobre uma fauna ainda pouco conhecida, mesmo habitando o mesmo planeta.