Crusoé: Efeito Trump vai da guerra ao risco dólar

12.04.2026

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O Antagonista

Crusoé: Efeito Trump vai da guerra ao risco dólar

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Ricardo Kertzman
3 minutos de leitura 12.04.2026 16:19 comentários
Análise

Crusoé: Efeito Trump vai da guerra ao risco dólar

Quando a principal referência de estabilidade mundial passa a operar sem previsibilidade, o sistema não quebra de uma vez

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Ricardo Kertzman
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Crusoé: Efeito Trump vai da guerra ao risco dólar
Fto: Molly Riley/ White House

Quando o bufão alaranjado — e cada vez mais inacreditavelmente o comandante em chefe da maior potencial militar do planeta —, Donald Trump, ameaçou varrer da face da Terra a civilização iraniana, ao contrário do que, outrora, causasse verdadeira comoção mundial e pânico generalizado nos mercados globais, praticamente não despertou grande reação internacional.

Não houve alinhamento imediato de aliados — nem de inimigos —, não houve cúpulas emergenciais e clamores de países pelo globo, e nem mesmo a previsível, costumeira, protocolar e inútil reprimenda institucional da ONU resolveu dar as caras.

O dado relevante é esse — ou isso tudo. Quando uma ameaça dessa magnitude é absorvida sem qualquer custo político, para não dizer completamente ignorada, é sinal de que a deterioração da credibilidade dos EUA encontra-se em estágio muito mais que avançado.

Um fio de estabilidade

Os Estados Unidos sustentaram por décadas sua influência global, combinando poderio militar, expansão econômica e cultural, com previsibilidade jurídica e política. Em 1947, o Plano Marshall reorganizou as economias europeias sob a liderança americana. Em 1949, a OTAN consolidou um sistema de segurança coletivo. Tais movimentos combinados asseguraram o início do maior período de paz e prosperidade já experimentado pela humanidade – a despeito de tantas tragédias e bilhões de pobres pelo mundo.

Mesmo decisões controversas, como a invasão do Iraque em 2003 sob George W. Bush, foram apresentadas dentro de um arcabouço institucional mínimo, com justificativas formais e articulação diplomática prévia. O mesmo se viu após os ataques de 11 de setembro de 2001 contra alvos civis em solo americano. Mas o que se observa agora é a perda completa desse enquadramento.

A diplomacia não decorre mais de uma doutrina identificável nem de um processo decisório transparente como de costume. Hoje, um ególatra, narcisista e tresloucado atua como uma espécie de Nero do século XXI.

Quando o chefe de Estado de uma potência nuclear como os Estados Unidos recorre a palavrões gritados em rede social em pleno domingo de Páscoa, e utiliza-se de termos como “extermínio”, ainda que no plano retórico, ele reduz a zero o espaço de previsibilidade que sustentou sua nação e mesmo a ordem internacional nas últimas décadas.

Mundo em reconfiguração

O impacto imediato dessa condução lunática aparece na…

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