A psicologia diz que as pessoas que nasceram nos anos 60 e 70 não se tornaram duras de propósito, mas porque foram formadas em um lugar onde não receberam atenção

25.06.2026

logo-crusoe-new
O Antagonista

A psicologia diz que as pessoas que nasceram nos anos 60 e 70 não se tornaram duras de propósito, mas porque foram formadas em um lugar onde não receberam atenção

avatar
Redação O Antagonista
5 minutos de leitura 10.04.2026 19:00 comentários
Entretenimento

A psicologia diz que as pessoas que nasceram nos anos 60 e 70 não se tornaram duras de propósito, mas porque foram formadas em um lugar onde não receberam atenção

A resiliência emocional é a capacidade de enfrentar dificuldades, adaptar-se a mudanças e manter um funcionamento minimamente estável.

avatar
Redação O Antagonista
5 minutos de leitura 10.04.2026 19:00 comentários 0
A psicologia diz que as pessoas que nasceram nos anos 60 e 70 não se tornaram duras de propósito, mas porque foram formadas em um lugar onde não receberam atenção
A psicologia diz que as pessoas que nasceram nos anos 60 e 70 não se tornaram duras de propósito, mas porque foram formadas em um lugar onde não receberam atenção. Créditos: depositphotos.com / RomanNerud

A geração que cresceu entre as décadas de 1960 e 1970 é frequentemente lembrada pela capacidade de resiliência, de suportar longas jornadas de trabalho, assumir responsabilidades cedo e seguir em frente mesmo diante de perdas e frustrações, em um contexto em que o afeto raramente era verbalizado e o cuidado se expressava sobretudo por meio de ações concretas e foco na sobrevivência.

O que é a resiliência emocional dessa geração

A resiliência emocional é a capacidade de enfrentar dificuldades, adaptar-se a mudanças e manter um funcionamento minimamente estável.

Na geração dos anos 60 e 70, isso se traduzia em trabalhar muito, reclamar pouco e evitar expor fragilidades, em um modelo em que silêncio era confundido com maturidade.

Nessa época, o acesso à psicoterapia e a um vocabulário para falar de saúde mental era raro.

Responsabilidade, disciplina e obediência eram os principais valores, o que influenciou uma educação voltada à estabilidade material, com pouco espaço para explorar emoções e vulnerabilidades.

A psicologia revela que os anos 1960 e 70 produziram uma das gerações mais fortes mentalmente da história “não por uma melhor educação, mas por negligência benigna que forçou as crianças a se autorregular”
A psicologia revela que os anos 1960 e 70 produziram uma das gerações mais fortes mentalmente da história “não por uma melhor educação, mas por negligência benigna que forçou as crianças a se autorregular”. Créditos: depositphotos.com / fotomy

Por que muitos pais tinham dificuldade em demonstrar afeto

Entre adultos formados nesse período, predominava a crença de que amar significava, sobretudo, prover e garantir sustento.

Longas jornadas de trabalho, empregos desgastantes e sacrifícios pessoais eram vistos como provas de cuidado, enquanto palavras e gestos afetivos eram pouco praticados.

Esse padrão se refletia na forma de se relacionar com os filhos, tornando difícil a expressão direta de carinho. Em vez de diálogos emocionais, prevaleciam atitudes concretas e práticas, que muitas vezes eram mal compreendidas pelas gerações seguintes.

Leia também: ”Tenho somente a CNH digital na blitz”: como agir?

Por que muitos pais tinham dificuldade em demonstrar afeto?
01 Prioridade Sistêmica: Foco absoluto no provimento, priorizando o trabalho mesmo em datas familiares cruciais.
02 Racionalização: Evasão de conversas emocionais, substituindo o acolhimento por soluções práticas e objetivas.
03 Barreira Geracional: Interpretação de vulnerabilidade, choro ou queixas como sinais de fraqueza ou ingratidão.
04 Linguagem de Atos: Afeição manifestada indiretamente através de presentes, suporte logístico e favores funcionais.

A resiliência dessa geração foi força ou mecanismo de defesa

Assumir responsabilidades cedo e enfrentar desafios reais contribuiu para desenvolver autocontrole, foco e senso de dever.

Essa “dureza aprendida” ajudou muitos a atravessar crises econômicas, perdas familiares e mudanças sociais intensas sem perder a capacidade de seguir adiante.

Por outro lado, ignorar emoções por longos períodos trouxe custos importantes.

Dificuldade em pedir ajuda, medo de mostrar fraqueza e distanciamento afetivo são consequências comuns, que indicam que parte dessa força também funcionou como mecanismo de defesa.

Como essa resiliência influencia as relações atuais

Hoje, muitos adultos que cresceram com demonstrações de amor mais práticas do que verbais sentem, ao mesmo tempo, gratidão e carência emocional.

Essa ambivalência ajuda a explicar a busca atual por informações sobre saúde mental, comunicação não violenta e vínculos mais acolhedores.

Nas conversas familiares e em atendimentos psicológicos, surgem três movimentos frequentes: reinterpretar o passado, quebrar ciclos e buscar aproximações tardias.

  1. Reinterpretação do passado: entender que o silêncio emocional dos pais se relacionava ao contexto, não necessariamente à falta de amor.
  2. Quebra de ciclo: manter responsabilidade e perseverança, mas incluir diálogo, escuta e validação de sentimentos.
  3. Aproximação tardia: pais mais velhos, muitas vezes, expressam arrependimentos e desejo de relações mais gentis.

Como transformar essa herança em relações mais saudáveis

A experiência da geração dos anos 60 e 70 não precisa ser idealizada nem totalmente rejeitada. Ela pode servir como material de reflexão para integrar o melhor dessa resiliência com novas formas de lidar com emoções, buscando equilíbrio entre esforço prático e expressão afetiva.

Ao reconhecer limites e qualidades desse modelo, torna-se possível construir vínculos em que o cuidado concreto permaneça, mas caminhe ao lado de diálogo, acolhimento e liberdade para demonstrar vulnerabilidade sem culpa ou vergonha.

  • Mais lidas
  • Mais comentadas
  • Últimas notícias
1

PSOL prova do próprio veneno

PSOL prova do próprio veneno
2

Keiko alcança vantagem insuperável no segundo turno do Peru

Keiko alcança vantagem insuperável no segundo turno do Peru
3

Wagner encontrou uma testemunha de defesa

Wagner encontrou uma testemunha de defesa
4

O país do dane-se

O país do dane-se
5

Valdemar indica que não vai processar Moro este ano

Valdemar indica que não vai processar Moro este ano
6

“Tinha 3 mulheres em casa e eu não podia ficar desarmado”, diz Bolsonaro à polícia

“Tinha 3 mulheres em casa e eu não podia ficar desarmado”, diz Bolsonaro à polícia
7

Crusoé: Uma má notícia para a candidatura do ‘profexô’ Luxemburgo

Crusoé: Uma má notícia para a candidatura do ‘profexô’ Luxemburgo
8

Crusoé: Alemanha desiste de seus maiores navios de guerra

Crusoé: Alemanha desiste de seus maiores navios de guerra
9

Em 2022, Érika foi a novata mais privilegiada em disputa pela Câmara

Em 2022, Érika foi a novata mais privilegiada em disputa pela Câmara
10

Criador da campanha pelo fim da escala 6×1 faz críticas à cúpula do Psol

Criador da campanha pelo fim da escala 6×1 faz críticas à cúpula do Psol
1

O país do dane-se

O país do dane-se
2

Wagner encontrou uma testemunha de defesa

Wagner encontrou uma testemunha de defesa
3

Renan Santos diz que Flávio Bolsonaro é “inviável” e aposta no desgaste do bolsonarismo

Renan Santos diz que Flávio Bolsonaro é “inviável” e aposta no desgaste do bolsonarismo
4

Valdemar indica que não vai processar Moro este ano

Valdemar indica que não vai processar Moro este ano
5

Keiko alcança vantagem insuperável no segundo turno do Peru

Keiko alcança vantagem insuperável no segundo turno do Peru
6

PSOL prova do próprio veneno

PSOL prova do próprio veneno
7

Crusoé: Uma má notícia para a candidatura do 'profexô' Luxemburgo

Crusoé: Uma má notícia para a candidatura do 'profexô' Luxemburgo
8

Momento exige do Judiciário "disposição sincera à autorreflexão", diz Fachin

Momento exige do Judiciário "disposição sincera à autorreflexão", diz Fachin
9

“Tinha 3 mulheres em casa e eu não podia ficar desarmado”, diz Bolsonaro à polícia

“Tinha 3 mulheres em casa e eu não podia ficar desarmado”, diz Bolsonaro à polícia
10

Flávio Bolsonaro 'resgata' Neymar em vídeo de IA

Flávio Bolsonaro 'resgata' Neymar em vídeo de IA
1

Horóscopo do dia: previsão para os 12 signos em 25/06/2026

Horóscopo do dia: previsão para os 12 signos em 25/06/2026
2

Ex-estrela da BBC descobre câncer agressivo na próstata

Ex-estrela da BBC descobre câncer agressivo na próstata
3

Justiça obriga Record a pagar R$ 50 mil por ‘nova Escola Base’

Justiça obriga Record a pagar R$ 50 mil por ‘nova Escola Base’
4

Duplo terremoto na Venezuela foi um dos mais intensos dos últimos anos

Duplo terremoto na Venezuela foi um dos mais intensos dos últimos anos
5

Brasil vence a Escócia e se classifica para a próxima fase

Brasil vence a Escócia e se classifica para a próxima fase
6

Vídeo de Michelle divide opiniões entre bolsonaristas

Vídeo de Michelle divide opiniões entre bolsonaristas
7

Erika Hilton foi a candidata estreante com maior volume de recursos em 2022

Erika Hilton foi a candidata estreante com maior volume de recursos em 2022
8

“Cadê o filho do Lula?”, questiona Eduardo em jogo do Brasil

“Cadê o filho do Lula?”, questiona Eduardo em jogo do Brasil
9

Militante de extrema-esquerda recebe pena de 100 anos nos EUA

Militante de extrema-esquerda recebe pena de 100 anos nos EUA
10

Terremoto de magnitude 7,1 atinge a Venezuela

Terremoto de magnitude 7,1 atinge a Venezuela

Tags relacionadas

força mental o que diz a psicologia psicologia resiliência resiliência emocional
< Notícia Anterior

Como será a (perigosa) volta da Artemis II à Terra

10.04.2026 00:00 4 minutos de leitura
Próxima notícia >

Berinjela: 7 receitas fáceis e saborosas para variar o cardápio

10.04.2026 00:00 4 minutos de leitura
avatar

Redação O Antagonista

Suas redes

Instagram

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (0)

Torne-se um assinante para comentar

Icone casa

Seja nosso assinante

E tenha acesso exclusivo aos nossos conteúdos

Apoie o jornalismo independente. Assine O Antagonista e a Revista Crusoé.