A psicologia diz que as pessoas que nasceram nos anos 60 e 70 não se tornaram duras de propósito, mas porque foram formadas em um lugar onde não receberam atenção

22.08.2026

logo-crusoe-new
O Antagonista

A psicologia diz que as pessoas que nasceram nos anos 60 e 70 não se tornaram duras de propósito, mas porque foram formadas em um lugar onde não receberam atenção

avatar
Redação O Antagonista
5 minutos de leitura 10.04.2026 19:00 comentários
Entretenimento

A psicologia diz que as pessoas que nasceram nos anos 60 e 70 não se tornaram duras de propósito, mas porque foram formadas em um lugar onde não receberam atenção

A resiliência emocional é a capacidade de enfrentar dificuldades, adaptar-se a mudanças e manter um funcionamento minimamente estável.

avatar
Redação O Antagonista
5 minutos de leitura 10.04.2026 19:00 comentários 0
A psicologia diz que as pessoas que nasceram nos anos 60 e 70 não se tornaram duras de propósito, mas porque foram formadas em um lugar onde não receberam atenção
A psicologia diz que as pessoas que nasceram nos anos 60 e 70 não se tornaram duras de propósito, mas porque foram formadas em um lugar onde não receberam atenção. Créditos: depositphotos.com / RomanNerud

A geração que cresceu entre as décadas de 1960 e 1970 é frequentemente lembrada pela capacidade de resiliência, de suportar longas jornadas de trabalho, assumir responsabilidades cedo e seguir em frente mesmo diante de perdas e frustrações, em um contexto em que o afeto raramente era verbalizado e o cuidado se expressava sobretudo por meio de ações concretas e foco na sobrevivência.

O que é a resiliência emocional dessa geração

A resiliência emocional é a capacidade de enfrentar dificuldades, adaptar-se a mudanças e manter um funcionamento minimamente estável.

Na geração dos anos 60 e 70, isso se traduzia em trabalhar muito, reclamar pouco e evitar expor fragilidades, em um modelo em que silêncio era confundido com maturidade.

Nessa época, o acesso à psicoterapia e a um vocabulário para falar de saúde mental era raro.

Responsabilidade, disciplina e obediência eram os principais valores, o que influenciou uma educação voltada à estabilidade material, com pouco espaço para explorar emoções e vulnerabilidades.

A psicologia revela que os anos 1960 e 70 produziram uma das gerações mais fortes mentalmente da história “não por uma melhor educação, mas por negligência benigna que forçou as crianças a se autorregular”
A psicologia revela que os anos 1960 e 70 produziram uma das gerações mais fortes mentalmente da história “não por uma melhor educação, mas por negligência benigna que forçou as crianças a se autorregular”. Créditos: depositphotos.com / fotomy

Por que muitos pais tinham dificuldade em demonstrar afeto

Entre adultos formados nesse período, predominava a crença de que amar significava, sobretudo, prover e garantir sustento.

Longas jornadas de trabalho, empregos desgastantes e sacrifícios pessoais eram vistos como provas de cuidado, enquanto palavras e gestos afetivos eram pouco praticados.

Esse padrão se refletia na forma de se relacionar com os filhos, tornando difícil a expressão direta de carinho. Em vez de diálogos emocionais, prevaleciam atitudes concretas e práticas, que muitas vezes eram mal compreendidas pelas gerações seguintes.

Leia também: ”Tenho somente a CNH digital na blitz”: como agir?

Por que muitos pais tinham dificuldade em demonstrar afeto?
01 Prioridade Sistêmica: Foco absoluto no provimento, priorizando o trabalho mesmo em datas familiares cruciais.
02 Racionalização: Evasão de conversas emocionais, substituindo o acolhimento por soluções práticas e objetivas.
03 Barreira Geracional: Interpretação de vulnerabilidade, choro ou queixas como sinais de fraqueza ou ingratidão.
04 Linguagem de Atos: Afeição manifestada indiretamente através de presentes, suporte logístico e favores funcionais.

A resiliência dessa geração foi força ou mecanismo de defesa

Assumir responsabilidades cedo e enfrentar desafios reais contribuiu para desenvolver autocontrole, foco e senso de dever.

Essa “dureza aprendida” ajudou muitos a atravessar crises econômicas, perdas familiares e mudanças sociais intensas sem perder a capacidade de seguir adiante.

Por outro lado, ignorar emoções por longos períodos trouxe custos importantes.

Dificuldade em pedir ajuda, medo de mostrar fraqueza e distanciamento afetivo são consequências comuns, que indicam que parte dessa força também funcionou como mecanismo de defesa.

Como essa resiliência influencia as relações atuais

Hoje, muitos adultos que cresceram com demonstrações de amor mais práticas do que verbais sentem, ao mesmo tempo, gratidão e carência emocional.

Essa ambivalência ajuda a explicar a busca atual por informações sobre saúde mental, comunicação não violenta e vínculos mais acolhedores.

Nas conversas familiares e em atendimentos psicológicos, surgem três movimentos frequentes: reinterpretar o passado, quebrar ciclos e buscar aproximações tardias.

  1. Reinterpretação do passado: entender que o silêncio emocional dos pais se relacionava ao contexto, não necessariamente à falta de amor.
  2. Quebra de ciclo: manter responsabilidade e perseverança, mas incluir diálogo, escuta e validação de sentimentos.
  3. Aproximação tardia: pais mais velhos, muitas vezes, expressam arrependimentos e desejo de relações mais gentis.

Como transformar essa herança em relações mais saudáveis

A experiência da geração dos anos 60 e 70 não precisa ser idealizada nem totalmente rejeitada. Ela pode servir como material de reflexão para integrar o melhor dessa resiliência com novas formas de lidar com emoções, buscando equilíbrio entre esforço prático e expressão afetiva.

Ao reconhecer limites e qualidades desse modelo, torna-se possível construir vínculos em que o cuidado concreto permaneça, mas caminhe ao lado de diálogo, acolhimento e liberdade para demonstrar vulnerabilidade sem culpa ou vergonha.

  • Mais lidas
  • Mais comentadas
  • Últimas notícias
1

Irmãos Batista compram fabricante de mísseis

Irmãos Batista compram fabricante de mísseis
2

Uma lição de Mendonça a Moraes e Dino

Uma lição de Mendonça a Moraes e Dino
3

O silêncio de Adélio

O silêncio de Adélio
4

Toffoli rejeita pedido de Brandão para tirar investigação de Dino

Toffoli rejeita pedido de Brandão para tirar investigação de Dino
5

Mensagem de lobista liga Lulinha a reunião de governador no Planalto

Mensagem de lobista liga Lulinha a reunião de governador no Planalto
6

Roberto Reis na Crusoé: O Ronaldinho que pode derrubar Lula

Roberto Reis na Crusoé: O Ronaldinho que pode derrubar Lula
7

Justiça da Bolívia decreta prisão do argentino das urnas

Justiça da Bolívia decreta prisão do argentino das urnas
8

Situação das Casas Bahia não indica crise no varejo, diz Durigan

Situação das Casas Bahia não indica crise no varejo, diz Durigan
9

Lyra amplia vantagem sobre Campos em PE, aponta Datafolha

Lyra amplia vantagem sobre Campos em PE, aponta Datafolha
10

Michelle Bolsonaro lidera disputa pelo Senado no DF

Michelle Bolsonaro lidera disputa pelo Senado no DF
1

Gilmar libera julgamento que pode mudar Ficha Limpa e beneficiar Arruda

Gilmar libera julgamento que pode mudar Ficha Limpa e beneficiar Arruda
2

Mensagem de lobista liga Lulinha a reunião de governador no Planalto

Mensagem de lobista liga Lulinha a reunião de governador no Planalto
3

Datafolha: Lula tem 47% contra 43% de Flávio no 2º turno

Datafolha: Lula tem 47% contra 43% de Flávio no 2º turno
4

Michelle Bolsonaro lidera disputa pelo Senado no DF

Michelle Bolsonaro lidera disputa pelo Senado no DF
5

Turquia pede prisão de Netanyahu

Turquia pede prisão de Netanyahu
6

Marcola pediu quadro de R$ 100 mil a Roberta Luchsinger?

Marcola pediu quadro de R$ 100 mil a Roberta Luchsinger?
7

Irmãos Batista compram fabricante de mísseis

Irmãos Batista compram fabricante de mísseis
8

Datafolha: Lula tem vantagem entre mulheres, mais pobres e católicos

Datafolha: Lula tem vantagem entre mulheres, mais pobres e católicos
9

Tarcísio fala em “capturar” votos de eleitores de Lula

Tarcísio fala em “capturar” votos de eleitores de Lula
10

Ao lado de Paes, Lula promete combater crime no Rio ‘sem pirotecnia’

Ao lado de Paes, Lula promete combater crime no Rio ‘sem pirotecnia’
1

Haddad: “O Datafolha está meio esquisito”

Haddad: “O Datafolha está meio esquisito”
2

Clarita Maia na Crusoé: Argentina destitui juiz por antissemitismo

Clarita Maia na Crusoé: Argentina destitui juiz por antissemitismo
3

Zema lança jingle com vídeo que mostra Lula e ministros do STF presos

Zema lança jingle com vídeo que mostra Lula e ministros do STF presos
4

Do palco ao dia a dia: como recriar as makes icônicas de Dua Lipa

Do palco ao dia a dia: como recriar as makes icônicas de Dua Lipa
5

“Já pode chamar de genocida?”, questiona Flávio sobre Lula

“Já pode chamar de genocida?”, questiona Flávio sobre Lula
6

Reforma em casa pode afetar o comportamento dos pets? Veja como tornar esse período mais tranquilo

Reforma em casa pode afetar o comportamento dos pets? Veja como tornar esse período mais tranquilo
7

Tarcísio fala em “capturar” votos de eleitores de Lula

Tarcísio fala em “capturar” votos de eleitores de Lula
8

O meme é o novo folclore? Veja como é possível aproximar o tema da realidade dos estudantes

O meme é o novo folclore? Veja como é possível aproximar o tema da realidade dos estudantes
9

Ex-comandante reage a intrigas por livro sobre governo Bolsonaro

Ex-comandante reage a intrigas por livro sobre governo Bolsonaro
10

Tem abobrinha em casa? Aprenda a fazer um bolinho fácil e saboroso para o fim de semana

Tem abobrinha em casa? Aprenda a fazer um bolinho fácil e saboroso para o fim de semana

Tags relacionadas

força mental o que diz a psicologia psicologia resiliência resiliência emocional
< Notícia Anterior

Como será a (perigosa) volta da Artemis II à Terra

10.04.2026 00:00 4 minutos de leitura
Próxima notícia >

Berinjela: 7 receitas fáceis e saborosas para variar o cardápio

10.04.2026 00:00 4 minutos de leitura
avatar

Redação O Antagonista

Suas redes

Instagram

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (0)

Torne-se um assinante para comentar

Início

Seja nosso assinante

E tenha acesso exclusivo aos nossos conteúdos

Apoie o jornalismo independente. Assine O Antagonista e a Revista Crusoé.