Fux defende Rio após “descrédito generalizado” e cita Master, INSS e Lava Jato
Ministro do STF rebateu generalização e apontou falta de participação de colegas em julgamentos de casos nacionais
Nascido no Rio de Janeiro, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), saiu em defesa do estado durante o julgamento sobre o modelo para as eleições do mandato-tampão.
Após críticas de colegas à política fluminense, Fux reagiu e afirmou que eventuais responsabilizações não se restringem ao Rio. Segundo ele, se agentes públicos tiverem que “ir para o inferno”, irão “acompanhados de altas autoridades”.
No comentário, o ministro acrescentou que a “perplexidade não seria tão grande” se os colegas “tivessem participado dos julgamentos” dos escândalos Mensalão, Lava-Jato, INSS e Banco Master.
“Eu sou carioca de nascença e eu verifiquei que houve uma manifestação de profundo descrédito ao Rio de Janeiro de forma generalizada. Acredito que muitos assim o fizeram porque ingressaram no Supremo em época posterior. Mas essa perplexidade não seria tão grande se colegas tivessem participado do julgamento do mensalão, da Lava-Jato, desse julgamento agora do INSS e do Banco Master. Porque os escândalos não são concentrados no estado do Rio. Há bons políticos no estado, que representam o estado na Câmara Federal. Se esses políticos tiverem que ir pro inferno vão acompanhados de altas autoridades”, afirmou.
Dino pede vista
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu vista nesta quinta-feira, 9, do julgamento sobre as ações do PSD em relação à eleição para o mandato tampão de governador e vice-governador do Rio de Janeiro.
Apesar do pedido de vista, o ministro André Mendonça antecipou o seu voto para acompanhar a divergência de Luiz Fux em favor de voto secreto e o prazo de 24 horas para desincompatibilização de candidatos após a renúncia.
Já o ministro relator, Cristiano Zanin, afirmou que essas regras não se aplicam ao impasse gerado pela renúncia de Castro. Segundo o ministro, as regras para tal tipo de pleito devem ser o voto aberto e o prazo de 24 horas para desincompatibilização de candidatos, válidas somente para casos não eleitorais de renúncia — como morte ou saída do cargo por opção.
Além disso, Zanin também abriu a possibilidade de uma eleição única, a ser realizada em outubro. Segundo o ministro, a renúncia do ex-governador Cláudio Castro, às vésperas de sua condenação pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), configurou uma tentativa de “burla” e não pode afastar as “consequências jurídicas reconhecidas” pela Justiça.
Até o momento, o placar está 2 a 1 para eleição indireta.
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