Relator protocola pedido para prorrogar CPI do Crime Organizado no Senado
Comissão reúne 28 assinaturas e tenta ampliar prazo antes do encerramento em abril
O relator da CPI do Crime Organizado no Senado, Alessandro Vieira (MDB-SE), protocolou na manhã desta segunda-feira, 6, o pedido para prorrogar por mais 60 dias os trabalhos da comissão, que hoje tem prazo para encerrar em 14 de abril.
A iniciativa reúne o apoio de 28 senadores, incluindo o presidente do colegiado, Fabiano Contarato (PT-ES), e agora depende de aval do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). A decisão ocorre em um momento em que o comando da Casa já demonstrou resistência a ampliar o funcionamento de comissões parlamentares, como ocorreu recentemente com a CPMI do INSS.
Vieira sustenta que a CPI ainda não teve tempo suficiente para analisar o material já coletado. Segundo ele, o colegiado acumulou um “volume monumental” de documentos e dados, que exigem cruzamento detalhado antes da consolidação de um relatório final.
Na justificativa do pedido, o relator alerta para o risco de encerramento precoce dos trabalhos. “O encerramento prematuro desta CPI representaria não apenas um retrocesso inaceitável na elucidação completa da infiltração do crime organizado nos mais diferentes domínios da economia brasileira, mas também um prejuízo incalculável ao interesse público”, afirmou.
O relator também defende a ampliação das oitivas, com a convocação de governadores e secretários de segurança pública, para aprofundar o mapeamento regional do crime organizado. A avaliação é de que a comissão ainda não esgotou as linhas de investigação abertas ao longo dos últimos meses.
Com o prazo apertado, a comissão intensificou o cronograma de atividades e prevê ao menos quatro oitivas ao longo da semana. Uma das principais é a do ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), marcada para terça-feira, 7, que deve tratar de decisões envolvendo o BRB em operações com o Banco Master. Ibaneis foi convocado pela CPI, mas obteve habeas corpus concedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, o que o desobriga de comparecer. Apesar da decisão, a reunião foi mantida na agenda.
Ainda na terça-feira, a CPI deve ouvir o secretário nacional de Políticas Penais, André de Albuquerque Garcia, em audiência voltada ao avanço de facções criminosas dentro do sistema prisional, com foco no domínio territorial dessas organizações em unidades do país. Já na quarta-feira, 8, estão previstos os depoimentos do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e do atual chefe da autoridade monetária, Gabriel Galípolo.
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