Guto Zacarias admite “pensamento pecador” ao cogitar aborto
Deputado nega pressão sobre ex-namorada, mas é alvo de denúncia do MP por violência psicológica
O deputado estadual por São Paulo Guto Zacarias (União) afirmou neste sábado, 4, que chegou a cogitar um aborto junto com a ex-namorada, Giovana Pereira, mas classificou a ideia como um “pensamento pecador”. Segundo ele, a decisão foi abandonada poucas horas depois. O casal decidiu manter a gestação e hoje são pais de uma criança de 1 ano.
O caso é investigado pelo Ministério Público de São Paulo, que apresentou denúncia contra o deputado em 2025 por suposta violência psicológica e pressão para interrupção da gravidez, com base na Lei Maria da Penha. Segundo os autos, as condutas teriam ocorrido entre 2024 e o início de 2025, após o fim do relacionamento.
Em vídeo publicado nas redes sociais, o parlamentar pediu desculpas pelo episódio.
“Eu já pedi perdão para a família da Giovana e já pedi perdão para a Giovana também porque eu me envergonho”, disse. Ele afirmou ainda que não forçou a ex-companheira a interromper a gravidez.
Giovana, que aparece ao lado do deputado no vídeo, confirmou a versão.
“Nunca foi forçada” a nada, disse.
Ela também afirmou que se arrependeu de ter registrado um boletim de ocorrência à época da gestação e que já pediu o arquivamento do caso.
“Houve uma briga, uma instabilidade, atravessei um período difícil e fui orientada por um advogado. Agi por impulso”, disse.
Áudio
Um áudio atribuído a Guto Zacarias, divulgado pela imprensa, mostra o parlamentar incentivando o aborto.
“Não consigo entender nenhum motivo pra não fazer [o aborto]”, diz ele no registro.
Em outra manifestação, o deputado reconheceu a autenticidade do material: “O áudio é real, eu me arrependo profundamente”.
De acordo com a denúncia, ele teria enviado mensagens e áudios tentando influenciar a decisão da ex-companheira, além de sugerir clínicas para a realização do procedimento.
O Ministério Público aponta que as ações teriam provocado sofrimento psicológico, incluindo crises de ansiedade e medo.
Guto Zacarias afirma que as acusações fazem parte de perseguição política em ano eleitoral.
“A baixaria em ano eleitoral começou. O nosso crescimento em direção à Câmara dos Deputados está incomodando muita gente”, disse.
Na Assembleia Legislativa de São Paulo, a Bancada Feminista do PSOL protocolou um pedido de cassação do mandato por quebra de decoro parlamentar. O caso deve ser analisado pelo Conselho de Ética da Casa.
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