Conversões ao catolicismo nos EUA atingem maior patamar em décadas
Arquidioceses registram, na Páscoa de 2026, o maior volume de adultos ingressando na Igreja Católica desde o início do século
A Igreja Católica nos Estados Unidos atravessa um momento atípico: o número de adultos que optam pela conversão ao catolicismo cresceu de forma expressiva em 2026, surpreendendo até os próprios bispos.
Na Vigília Pascal deste ano, dezenas de dioceses espalhadas pelo país registraram contingentes recordes de novos fiéis, fenômeno que ocorre no primeiro ano do papado de Leão 14, o primeiro pontífice nascido em solo americano.
Na Arquidiocese de Detroit, 1.428 pessoas foram recebidas na igreja durante a missa da Vigília Pascal, o maior volume em 21 anos. Em Galveston-Houston, o número foi o mais alto em 15 anos. Na Diocese de Des Moines, o salto foi de 265 para 400 convertidos entre 2025 e 2026 — alta de 51%. Em Newark, Nova Jersey, 1.701 pessoas ingressaram na fé católica nesta Páscoa, ante 1.000 registradas em 2010.
Jovens lideram o movimento de conversão
A Arquidiocese de Washington recebeu 1.755 novos católicos em 2026, superando as 1.566 conversões de 2025 — que já era o maior número em pelo menos 15 anos, segundo os registros locais. O cardeal Robert McElroy, de Washington, admitiu a perplexidade diante dos dados: “Claro que achamos que é o Espírito Santo”, disse. “Mas estamos meio perplexos”.
O grupo etário de 18 a 35 anos concentra a maior parte dos ingressantes. O arcebispo Mitchell Thomas Rozanski, de St. Louis — onde os números não eram tão elevados desde 2016 —, aponta o isolamento como fator determinante: “Acho que a tecnologia nos isolou uns dos outros. Acho que a Covid realmente amplificou esse isolamento”, afirmou. “Estamos percebendo que muitos dos males da nossa sociedade, particularmente ansiedade e depressão, surgem desse isolamento”.
Para Rozanski, o momento político e social também pesa na decisão de converter: “Em nossa era de incerteza e de grande ansiedade, há uma sede e fome de Deus e da estabilidade que a fé traz para a vida das pessoas”, disse.
Dados e contexto histórico
O New York Times coletou informações de mais de 20 dioceses, entre as maiores do país, e outras de menor porte, como Gallup, no Novo México, e Allentown, na Pensilvânia. Todas reportaram crescimento expressivo. Na Filadélfia, o total de 2026 equivale ao dobro do registrado em 2017.
A pandemia de Covid-19 havia interrompido atividades presenciais e derrubado as conversões entre 2020 e 2022. O crescimento atual, em muitas dioceses, vai além de compensar essa queda.
Segundo levantamento do Pew Research Center divulgado em 2025, a população cristã nos EUA se mantém estável há alguns anos, após período de retração. Apenas 8% dos cerca de 53 milhões de católicos adultos americanos são convertidos. O estudo aponta o casamento como principal motivação para a mudança de fé, seguido por realização espiritual e influência de amigos e familiares.
O ingresso formal na Igreja Católica como adulto segue, em geral, um ciclo de aulas denominado Ordem de Iniciação Cristã de Adultos. Em casos pontuais, o processo pode ser conduzido de forma privada — como ocorreu com o vice-presidente J. D. Vance, que se converteu em 2019, aos 35 anos.
Os próprios convertidos, em entrevistas, descreveram suas motivações como pessoais e independentes da eleição de Leão XIV ao papado.
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