Senador pede convocação de policiais presos em investigação sobre tráfico
Magno Malta quer que Erlido Rosa e Eduardo Tadeu Ribeiro Batista da Cunha prestem depoimentos na CPI do Crime Organizado
O senador Magno Malta (PL-ES) protocolou nesta terça-feira, 31, requerimentos de convocação de dois policiais civis investigados na Operação Turquia, para prestarem depoimentos na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, do Senado.
A operação foi deflagrada pela Polícia Federal no Espírito Santo para enfrentar um grupo criminoso com atuação no tráfico de drogas.
Os policiais investigados – que estão presos – são Erildo Rosa e Eduardo Tadeu Ribeiro Batista da Cunha, conhecido como Turco, ambos do Departamento Especializado de Narcóticos (Denarc) da Polícia Civil do Espírito Santo. Magno Malta pede a convocação deles na condição de investigados.
A CPI investiga o modus operandi das organizações criminosas, as condições de instalação e o desenvolvimento delas em cada região do Brasil, além das respectivas estruturas de tomadas de decisão, de modo a permitir a identificação de soluções adequadas para o seu combate, principalmente por meio do aperfeiçoamento da legislação do país.
No requerimento de convocação de Erildo Rosa, Malta ressalta que, no âmbito da Operação Turquia, vieram a público informações oficiais que apontam a possível participação do policial em esquema criminoso envolvendo desvio de entorpecentes apreendidos durante operações policiais e cooperação ilícita com integrantes de organização criminosa.
“Há indícios de que o policial Erildo Rosa teria participado de apreensões nas quais apenas parte dos entorpecentes foi formalmente registrada nos boletins de ocorrência, sendo o restante supostamente desviado. Um dos episódios mencionados refere-se a apreensão realizada no município de Rio Novo do Sul, na qual apenas uma fração da droga teria sido oficialmente contabilizada”, pontua.
Já no requerimento de convocação de Eduardo Tadeu, o congressista argumenta que, segundo as investigações no âmbito da Operação Turquia, o policial é suspeito de integrar um esquema estruturado de cooperação ilícita com organização criminosa voltada ao tráfico de drogas.
“As apurações tiveram início a partir da prisão em flagrante de um dos principais líderes do tráfico de drogas na região da Ilha do Príncipe, em Vitória, em fevereiro de 2024, identificado como Yago Saib Bahia da Silva, conhecido como Passarinho, integrante da facção PCC. A partir desse episódio, foram identificados indícios consistentes de vínculo ilícito entre o traficante e o policial convocado, evidenciando possível cooperação criminosa durante diligências policiais”.
Para o senador, a oitiva de Eduardo Tadeu é “imprescindível para o esclarecimento dos fatos, para a identificação dos mecanismos de infiltração do crime organizado em órgãos estatais e para o pleno cumprimento do dever constitucional desta Comissão Parlamentar de Inquérito”.
Os dois requerimentos de convocação ainda precisam ser votados pela CPI do Crime Organizado.
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