SP usa satélites para vigiar florestas e aplica mais de mil multas
Programa estadual passou a revisar todo o território paulista 18 vezes por ano; ferramenta resultou em mais de 1.100 autuações entre 2023 e 2025
Com o MAIS (Monitoramento Ambiental por Imagens de Satélite) da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), o governo de São Paulo passou a examinar cada hectare do seu território com uma frequência que, há uma década, seria inviável.
Por meio do uso de satélites e cruzamento de dados geoespaciais, o estado chegou ao fim de 2025 realizando 18 varreduras anuais do mesmo espaço geográfico — para fins de comparação, duas análises eram realizadas por ano entre 2015 e 2022.
No intervalo de três anos, entre 2023 e 2025, o sistema catalogou 2.741 pontos de alteração na cobertura vegetal nativa, somando 5.392 hectares sob algum tipo de intervenção. As informações coletadas alimentam operações da Polícia Militar Ambiental, que verificou 91% das ocorrências em campo e lavrou 1.167 autos de infração — correspondentes a 47% das áreas inspecionadas.
O programa utiliza imagens dos satélites Sentinel-2 e CBERS-4A, além de dados de alta resolução do PlanetScope, fornecidos pelo Ministério da Justiça por meio do programa Brasil MAIS. Alertas emitidos pelo MapBiomas e pela Fundação SOS Mata Atlântica também são incorporados à análise desde 2023, quando o processo de identificação de supressão vegetal foi automatizado.
Pequenas áreas, grande desafio de detecção
O perfil das ocorrências detectadas em São Paulo difere do padrão nacional. Enquanto o MapBiomas registrou mais de 1,2 milhão de hectares desmatados no Brasil em 2024, majoritariamente em grandes extensões contínuas nos biomas Amazônia e Cerrado o estado paulista concentra intervenções fragmentadas e de menor porte.
Oitenta e quatro por cento dos casos identificados envolvem áreas de até 1 hectare. Apenas 2% ultrapassam 5 hectares. Esse padrão torna a detecção mais difícil por métodos convencionais e justifica a alta frequência de revisão adotada pelo programa.
O bioma Mata Atlântica concentra 87% das ocorrências; o Cerrado responde pelos 13% restantes. A distribuição acompanha tanto a extensão de cada bioma no estado quanto a pressão histórica sobre áreas de vegetação nativa em regiões de maior ocupação humana.
O diretor de Proteção e Fiscalização Ambiental da Semil, André Rocha, descreve a mudança na abordagem: “O monitoramento por imagens permite identificar indícios de alterações na vegetação e priorizar as áreas que precisam de verificação em campo. Isso otimiza o trabalho das equipes e fortalece a capacidade de resposta do Estado na proteção ambiental”.
Regeneração supera supressão no estado
O volume de autuações não deve ser lido como sinal de avanço do desmatamento. A automação do MAIS, implantada a partir de 2023, passou a captar intervenções menores que antes ficavam fora do alcance do sistema — o que explica, em parte, o aumento no número de registros.
O Painel Verde, base de dados estadual, indica que São Paulo tem mais áreas em processo de regeneração do que de supressão de vegetação nativa. Entre 2023 e 2025, mais de 11,8 mil hectares estão atrelados a compromissos formais de reparação ambiental.
A Semil também atua em projetos de restauração ecológica que somam 34,5 mil hectares, com ações que vão de sistemas agroflorestais a controle de erosão e manejo de espécies invasoras. Iniciativas como o Vale + Verde, no Vale do Paraíba, e intervenções na Serra da Cantareira integram esse portfólio, financiado por R$ 45 milhões já executados de fontes como a Arsesp e o Global Environment Facility.
O subsecretário de Meio Ambiente da Semil, Jônatas Trindade, situa o programa dentro de uma política mais ampla. “O MAIS amplia a capacidade do Estado de acompanhar o território e identificar alterações na vegetação com mais agilidade. Isso permite orientar melhor as ações de fiscalização, apoiar processos de regularização ambiental e contribuir para a recuperação de áreas degradadas”, diz.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)