Idoso de 80 anos vive sozinho em uma casa de taipa no sertão cearense e longe da cidade
Nas paisagens secas do sertão nordestino, a rotina solitária de Seu Chiquinho Matias, de quase 81 anos, preserva práticas tradicionais
Nas paisagens secas do sertão nordestino, a rotina solitária de Seu Chiquinho Matias, de quase 81 anos, preserva práticas tradicionais como buscar água em cacimba, cozinhar em fogão a lenha e cuidar da terra com as próprias mãos, revelando a permanência de um modo de vida rural quase centenário.
A casa centenária de Seu Chiquinho Matias preserva a história da família
A casa em que Seu Chiquinho mora foi construída por seu pai por volta de 1920, em taipa e alvenaria, e mantém marcas visíveis do tempo nas paredes e no telhado.
Ele tem forte apego afetivo ao imóvel, que enxerga como símbolo da memória dos pais, da família numerosa e da continuidade do trabalho no campo. Mesmo ciente do desgaste, Seu Chiquinho pensa em reformar a casa apenas para conservar o que já existe, sem modernizar demais o espaço.
O imóvel funciona como referência na paisagem do sertão e sua permanência representa, para ele, a preservação das raízes em uma região marcada por migrações constantes.

Como foi a juventude de Seu Chiquinho Matias no sertão
Desde criança, Seu Chiquinho participou da lida rural, ajudando na criação de animais, no plantio de roças e na produção de leite ao lado dos pais e de nove irmãos. O quintal, o curral e a cozinha eram espaços de trabalho e convivência, onde ele aprendeu, de forma prática, as tarefas do dia a dia no campo.
Ele lembra com naturalidade dos parentes já falecidos, encarando isso como parte do ciclo da vida. Nunca se casou, apesar de ter vivido um relacionamento amoroso, e decidiu permanecer solteiro para cuidar dos pais na propriedade, especialmente a partir dos 30 anos.
Por que Seu Chiquinho preferiu o sertão à cidade grande
Na juventude, Seu Chiquinho passou um período no Rio de Janeiro em busca de trabalho, mas não se adaptou ao ritmo urbano e à distância da família. A experiência na cidade reforçou seu sentimento de pertencimento ao sertão, onde se sentia mais integrado à paisagem e aos costumes rurais.
Ao retornar, decidiu viver de forma definitiva na propriedade da família e, há cerca de meio século, quase não sai da região. Para ele, o silêncio, o contato direto com a terra e a autonomia para organizar o próprio tempo são características essenciais do seu modo de vida.
Como é a rotina atual de trabalho e cuidados no sertão
Mesmo com idade avançada, Seu Chiquinho mantém uma rotina ativa, adaptando o ritmo, mas sem abrir mão das tarefas manuais.
Ele segue buscando água em cacimba, limpando o terreno, consertando cercas e utilizando o fogão a lenha, o que exige planejamento diário e organização cuidadosa.
Essas atividades estruturam o dia e garantem a manutenção da casa e do entorno, compondo um conjunto de tarefas que refletem um modo de vida simples e autossuficiente:
- Limpeza: cuidado constante com o quintal e o entorno da casa;
- Manutenção: conserto de cercas e manejo do terreno para pequenos plantios;
- Abastecimento: coleta de água em cacimba e armazenamento em recipientes domésticos;
- Alimentação: preparo de refeições diárias em fogão a lenha.
O canal Felipe Sena contou a história de Seu Chiquinho:
Como Seu Chiquinho lida com a solidão e o passar do tempo
Apesar de morar sozinho, Seu Chiquinho não vive isolado, recebendo visitas de parentes, vizinhos e curiosos interessados em sua história e na paisagem do lugar.
Esse convívio ocasional equilibra a vida solitária, enquanto o sossego do sertão oferece o ambiente que ele considera adequado para sua idade.
Ele mantém uma postura tranquila diante do envelhecimento, guiado por fé simples em Deus e pela observação dos ciclos da natureza. Organiza o dia sem pressa, focado nas tarefas imediatas e na permanência na casa construída pelo pai, onde construiu sua trajetória no campo.
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