A primeira cidade italiana do Brasil nasceu de uma lei e tem 90% de seus moradores ligados às raízes da Itália
Uma lei fez nascer a primeira cidade italiana do Brasil
Na serra capixaba, a 655 metros de altitude e a 78 km de Vitória, 90% da população descende de italianos e uma lei federal reconhece Santa Teresa como a primeira cidade italiana do Brasil. Os imigrantes de Trento e Vêneto que desembarcaram no Espírito Santo em 1874 deixaram uma herança viva nas cantinas, nas festas de rua e no sotaque que resiste entre as montanhas.
Como uma lei federal confirmou o pioneirismo de Santa Teresa?
Em 17 de fevereiro de 1874, o navio La Sofia chegou ao porto de Vitória, conduzindo 388 imigrantes italianos contratados por Pietro Tabacchi, um trentino radicado na província. O empreendimento original não prosperou, e parte dos colonos aceitou a proposta do governo capixaba para se instalar no Núcleo de Timbuhy, território do atual município. Em 26 de junho de 1875, as famílias receberam lotes de terra e fundaram a colônia, conforme registra o Governo do Estado do Espírito Santo.
Um documento encontrado no Arquivo Público do Estado (APEES), datado de outubro de 1874, prova a presença de imigrantes na região antes de qualquer outro registro oficial no país. Com base nessa evidência, a Lei Federal 13.617, de 11 de janeiro de 2018, reconheceu oficialmente Santa Teresa como pioneira da imigração italiana no Brasil.

A terra de Augusto Ruschi e dos colibris
Santa Teresa é também a cidade onde nasceu Augusto Ruschi (1915-1986), considerado o Patrono da Ecologia no Brasil. O naturalista dedicou a vida ao estudo de beija-flores e orquídeas da Mata Atlântica e fundou, em 1949, o Museu de Biologia Professor Mello Leitão. Hoje vinculado ao Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA), o museu recebe cerca de 115 mil visitantes por ano e ocupa 77 mil m² de jardins com viveiros, laboratórios e uma varanda onde dezenas de colibris se alimentam diante dos olhos de quem chega.
A biodiversidade da região é tão expressiva que cerca de 40% do território municipal ainda é coberto por Mata Atlântica. A Estação Biológica de Santa Lúcia, mantida pelo INMA, é visitada por cientistas do mundo inteiro.
O que fazer na Doce Terra dos Colibris?
A cidade combina herança italiana, natureza preservada e gastronomia de cantina em atrações concentradas numa área serrana de fácil acesso:
- Museu de Biologia Mello Leitão: parque zoobotânico com acervo científico, trilhas e viveiros abertos. Entrada gratuita, de terça a domingo.
- Rua do Lazer (Rua Coronel Bonfim Júnior): calçadão no centro com cantinas, restaurantes e cafeterias sob casarões coloniais. Ponto de encontro nos fins de semana.
- Circuito Caravaggio: roteiro rural com cantinas familiares, produção de espumantes artesanais e a Igreja de Nossa Senhora do Caravaggio.
- Casa de Virgílio Lambert: construção de 1875 tombada pelo Conselho Estadual de Cultura, uma das primeiras casas erguidas na colônia.
- Mirante Vale do Canaã: vista panorâmica do vale que se estende até a região de São Roque do Canaã.
Quem sonha em conhecer a pequena Itália capixaba, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Boa Sorte Viajante – Matheus Boa Sorte, que conta com mais de 984 mil visualizações, onde Matheus Boa Sorte explora a gastronomia, os vinhos e a rica biodiversidade de Santa Teresa, no Espírito Santo:
Quando visitar e o que aproveitar em cada época?
O clima serrano de Santa Teresa oferece temperaturas amenas o ano todo, com noites frescas mesmo no verão. A tabela orienta o planejamento:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar conforme a altitude.
Como chegar à serra capixaba?
Santa Teresa fica a 78 km de Vitória. O trajeto de carro leva cerca de 1h30: siga pela BR-101 Norte até Fundão e depois pegue a ES-261 por 28 km de serra. Linhas regulares de ônibus partem de Vitória pela empresa Lírios do Vale. O aeroporto mais próximo é o Eurico Sales, na capital capixaba.
A serra que fala italiano e cheira a Mata Atlântica
Santa Teresa reúne em pouco mais de 22 mil habitantes o que muitas cidades grandes não conseguem: uma identidade cultural intacta, natureza preservada e o reconhecimento formal de ser o berço da colonização italiana no país. A herança dos trentinos que abriram trilhas na mata em 1874 se mantém viva nas cantinas, nos colibris e no jeito acolhedor de quem recebe o visitante como se fosse da família.
Você precisa subir a serra capixaba e brindar com um espumante artesanal na terra onde o Brasil começou a falar italiano.
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