Roberto Reis na Crusoé: A lógica da zebra
Metade da centro-direita não é bolsonarista. Esse eleitor quer derrotar Lula, mas não quer todo o pacote. É nesse desconforto que mora a chance da terceira via
É possível a terceira via ganhar no Brasil polarizado?
É. Mas não é o cenário base.
Não basta fazer uma campanha boa. É preciso fazer uma campanha excepcional e ainda torcer por um escorregão feio dos líderes.
O eleitor brasileiro não escolhe apenas quem prefere. Escolhe também quem parece capaz de derrotar o seu vilão. O medo de “desperdiçar” o voto é real e decisivo.
Por isso, a terceira via só começa a existir de verdade quando cruza a linha simbólica dos dois dígitos.
Os 10% são, digamos, um fetiche numérico: 9% é nada. E 10% já rompe a barreira psicológica.
É um sinal de viabilidade. Até ali, o candidato começa a ser percebido. Depois dali, começa a parecer uma possibilidade.
Basta lembrar o caso Pablo Marçal na Prefeitura de São Paulo, em 2024.
Ele começou a ser percebido quando rompeu essa barreira.
Eleição, no fundo, é percepção de chegada, não de largada.
Se Lula, ou o nome do seu campo, estiver parado entre 30% e 40%, e Flávio Bolsonaro também mostrar teto visível, abre-se uma fresta, pequena, mas possível.
O eleitor cansado da repetição começa a olhar em volta. Mas ele não procura moderação. Procura chance real e algo mais impactante. A terceira via precisa transmitir a sensação de que vem de trás com força suficiente para ultrapassar um dos polos.
Sem isso, derrete na reta final e vira depósito de frustração, que o digam Simone Tebet e Ciro Gomes, em 2022.
Viradas assim não são lenda. João Doria em São Paulo. Romeu Zema em Minas. Houve um momento em que pareciam improváveis. E depois deixaram de parecer.
Toda zebra começa como uma improbabilidade errônea.
Todos têm preguiça até de pensar nisso.
E minha opinião? Bom, rsss. Eu uso aquela analogia: “Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay”.
Em português: eu não acredito em…
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