Crusoé: De faccionados para terroristas
Estados Unidos ameaçam recrudescer combate ao PCC e CV para reduzir mortes pelo uso de drogas
Entre os tantos fatores que ainda podem chacoalhar as eleições presidenciais deste ano está a possibilidade de os Estados Unidos declararem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras (FTOs, na sigla em inglês).
O governo Lula é contra, tanto que mandou o chanceler Mauro Vieira falar com o secretário de Estado Marco Rubio com o objetivo de impedir a medida, alegando que se trataria de um desrespeito à soberania brasileira (leia o artigo Soberania em xeque de Márcio Coimbra).
Pesquisa RealTime Big Data, contudo, revela amplo apoio dos brasileiros à classificação: 79% querem que o governo Lula enquadre as facções como organizações terroristas.
O levantamento também mostra que 66% dos entrevistados são favoráveis à iniciativa por parte do governo Trump.
Washington
A designação do PCC e CV como organizações terroristas é uma prerrogativa soberana dos Estados Unidos.
Há múltiplos registros da atuação das duas maiores facções criminosas brasileiras em solo americano.
Na Flórida, o PCC é investigado pelo FBI por investir na compra de imóveis com o objetivo de lavar dinheiro em dólar.
Em 2024, o traficante Diego Macedo Gonçalves, conhecido como “Brahma”, ligado ao PCC, foi incluído na lista de sanções do Tesouro americano por envolvimento com o tráfico internacional de drogas.
Investigações da Polícia Federal (PF) revelaram que armas e peças são adquiridas por intermediários nos Estados Unidos e enviadas ilegalmente ao Brasil com destino ao CV.
Em 2017, sessenta fuzis vindos de Miami foram apreendidos no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro.
Logística
Segundo Leonardo Coutinho, diretor do Center for a Secure Free Society (SFS), o PCC mantém conexões com organizações já classificadas como terroristas pelo Departamento de Estado americano, entre elas o grupo libanês Hezbollah.
“O PCC está metido na logística das drogas enviadas pelos portos do Brasil. Na África e no Oriente Médio, o Hezbollah assume a droga, ocultando sua origem. É o que se chama de…
Siga a leitura em Crusoé. Assine e apoie o jornalismo independente.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)