Uma reserva inglesa está trazendo de volta o “falcão noturno invisível”
O noitibó passa o dia praticamente imóvel, usando a plumagem marrom e cinza para se confundir com o solo, troncos caídos e vegetação seca
A presença do noitibó, também conhecido como nighthawk ou nightjar, voltou a crescer no sul da Inglaterra após décadas de queda populacional, impulsionada por ações de conservação em áreas como o Parque Nacional de South Downs.
Por que o noitibó é uma ave difícil de observar
O noitibó passa o dia praticamente imóvel, usando a plumagem marrom e cinza para se confundir com o solo, troncos caídos e vegetação seca. Essa camuflagem o torna quase invisível durante as horas claras, dificultando a observação mesmo para especialistas.
Ao entardecer, a ave se torna mais ativa, sobrevoando clareiras e bordas de mata em busca de insetos. Muitas vezes, sua presença é percebida primeiro pelo canto contínuo, um churro vibrante usado para defender território e atrair parceiros nas áreas de reprodução.

Como ocorreu a recuperação do noitibó no South Downs
No Parque Nacional de South Downs, que abrange Hampshire, West Sussex e East Sussex, levantamentos recentes indicam que a população de noitibó praticamente dobrou em cerca de cinco anos, ultrapassando 70 indivíduos em um ciclo de monitoramento.
A restauração de charnecas e florestas degradadas, com criação de clareiras, remoção de espécies invasoras e manejo de pinus e outras árvores exóticas, abriu espaço para o retorno da espécie. Em escala nacional, mais de uma centena de áreas hoje são consideradas adequadas para nidificação do noitibó.
Quais cuidados são necessários durante a reprodução do noitibó
Como o noitibó nidifica diretamente no chão, sem construir ninhos elevados, a espécie é vulnerável a pisoteamento e perturbação. Por isso, equipes de manejo e guarda-parques instruem visitantes a adaptar o comportamento em trilhas e áreas abertas durante a temporada reprodutiva.
Essas orientações visam reduzir impactos sobre os ninhos e garantir maior sucesso de reprodução da espécie, especialmente em áreas de alto fluxo de pessoas e cães. Entre as principais recomendações de manejo destacam-se:
- Manter cães na coleira durante a temporada de reprodução.
- Permanecer nas trilhas demarcadas, evitando atalhos pela vegetação.
- Respeitar áreas sinalizadas como sensíveis para a fauna.
- Evitar barulho excessivo à noite em zonas monitoradas.
Como o noitibó se distribui e migra pelo planeta
O noitibó tem ampla distribuição global, ocorrendo em todos os continentes, exceto a Antártida, com diferentes espécies adaptadas a florestas abertas, campos, savanas e charnecas.
No Reino Unido, a população reprodutora migra a partir de áreas de invernada na África Central, percorrendo milhares de quilômetros todos os anos.
Essas aves evitam desertos muito áridos, mas ocupam desde baixas altitudes até regiões montanhosas moderadas. Ativas ao crepúsculo e à noite, consomem grandes quantidades de insetos voadores, como mariposas e besouros, contribuindo para o controle natural dessas populações.
Quais são as perspectivas futuras para o noitibó
Medidas de proteção de habitats, manejo florestal adequado e criação de áreas protegidas têm favorecido o noitibó no sul da Inglaterra e em outras regiões do Reino Unido.
A espécie é vista como um indicador da qualidade de charnecas e florestas de baixa altitude, estimulando programas contínuos de monitoramento.
Apesar de desafios como expansão urbana, pressão de visitantes e mudanças climáticas, a recente recuperação mostra que ações coordenadas de restauração, trilhas bem planejadas e campanhas de comunicação podem sustentar populações saudáveis de noitibós em paisagens britânicas e além.
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