Ciro Nogueira diz que movimentações são “legais e declaradas” após relatório da Coaf
Senador afirma que "todas as movimentações financeiras são compatíveis com sua renda e com sua trajetória de empresário”
O senador Ciro Nogueira (PP-PI) afirmou, nesta quinta-feira, 19, que suas movimentações financeiras são legais e devidamente declaradas após a divulgação de relatório de inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que apontou operações consideradas atípicas envolvendo contas vinculadas ao parlamentar.
Em nota, o parlamentar negou irregularidades e disse que todas as transações seguem a legalidade. “Sobre a matéria veiculada a respeito de faturas de cartão de crédito do senador Ciro Nogueira, esclarecemos que se trata de movimentações privadas, legais e devidamente declaradas.”
O senador também afirmou que os registros bancários confirmam a regularidade das operações. “A passagem desses valores pela conta bancária já demonstra sua regularidade. Todas as movimentações financeiras do senador, tanto pessoais quanto empresariais, são compatíveis com sua renda e com sua trajetória de empresário em diferentes setores da economia.”
Na mesma nota, Ciro criticou a divulgação das informações. “O que chama atenção no conteúdo da matéria é a divulgação de informações bancárias sem quebra de sigilo requerida ou autorizada.” Ele concluiu reafirmando compromisso com a legalidade. “Ciro Nogueira reafirma seu compromisso com a legalidade e transparência de suas ações.”
A manifestação ocorre após a revelação de que pagamentos de despesas pessoais do senador foram realizados por aliados políticos, o que levou as operações a serem classificadas como fora do padrão por sistemas de monitoramento financeiro.
Entenda
Nogueira teve despesas de cartão de crédito quitadas por dois deputados federais do próprio partido, segundo relatório da Coaf. De acordo com os dados, os pagamentos foram feitos pelos deputados Átila Lira e Júlio Arcoverde, aliados políticos de Nogueira no Piauí. As transações, realizadas em 2024, somam cerca de R$ 17 mil e foram classificadas como movimentações atípicas.
Segundo a apuração do G1, em 4 de junho de 2024, Átila Lira aparece como responsável pelo pagamento de um boleto de R$ 3.457 referente a um cartão do Banco de Brasília (BRB) em nome do senador. Já no dia 19 do mesmo mês, outra fatura, no valor de R$ 13.693,54, foi quitada por Júlio Arcoverde. O relatório também registra que, poucos dias antes, o próprio Ciro Nogueira quitou uma fatura de R$ 120.839,96 junto ao BRB, instituição que aparece em investigações relacionadas ao chamado caso Master.
Além dos pagamentos, a Caixa classificou como “inusitado” o comportamento financeiro da conta do senador no período de janeiro a junho de 2024. O banco apontou movimentações consideradas incompatíveis com a renda declarada, transferências para pessoas politicamente expostas sem justificativa econômica clara e operações que poderiam dificultar a identificação da origem dos recursos.
Entre os pontos destacados está o recebimento de uma transferência internacional equivalente a R$ 25,8 mil, enviada por um condomínio residencial em Miami Beach, nos Estados Unidos, sem justificativa detalhada — classificada como “doação ou transferência sem contrapartida”. O relatório também menciona vínculos indiretos entre os envolvidos. O filho de Júlio Arcoverde atua desde 2020 no gabinete de Ciro Nogueira, com salário bruto superior a R$ 12 mil.
Leia mais: Coaf aponta pagamentos de deputados a faturas do cartão de Ciro Nogueira
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