Prefeito de Florianópolis deixa PSD e expõe racha interno em SC
“Tenho repulsa aos que acreditam que política se faz com truculência e intimidação”, diz Topázio Silveira Neto em carta aberta após formalizar desfiliação
O prefeito de Florianópolis, Topázio Silveira Neto, formalizou nesta quinta-feira, 19, a saída do PSD e tornou pública uma carta em que expõe divergências internas no partido em Santa Catarina. No documento, relata pressões, acusa retaliações e critica o que descreve como práticas políticas baseadas em intimidação. “Tenho repulsa aos que acreditam que política se faz com truculência, intimidação e socos na mesa”, escreveu.
Segundo Topázio, a crise interna se intensificou após ele se posicionar contra uma candidatura do PSD ao governo estadual. Ele afirma que a reação dentro do partido foi imediata. “Nos últimos dias, integrantes do meu partido decidiram agir dessa forma comigo, como retaliação às posições que defendo”, afirmou.
O prefeito também aponta que houve tentativa de forçar sua saída da legenda, mas diz que não cederá às pressões. “O presidente estadual do PSD de Santa Catarina, em conluio com o prefeito de Chapecó, passou a exigir minha expulsão imediata do partido (…) Recuso o silêncio que tentam me impor por discordar de uma candidatura do partido ao Governo do Estado. Apesar das ameaças pessoais, não me intimido e nem me omito”.
Ele também faz críticas diretas à condução interna da sigla e ao que classifica como projeto pessoal dentro do partido. Sem citar nominalmente, atribui ao prefeito de Chapecó a articulação de uma candidatura que, segundo ele, ignora o coletivo. “Ao se tornar candidato de si mesmo, o prefeito transformou seus companheiros de partido em reféns de um projeto sem sentido (…) Seu ego, vaidade e sua sede de poder valem mais que o bem coletivo”, completou.
O prefeito de Florianópolis sustenta que sua posição política é coerente com o que vem defendendo publicamente há dois anos, com o apoio à reeleição do governador Jorginho Mello. Ele afirma que essa linha foi compartilhada previamente com lideranças nacionais do PSD, como Gilberto Kassab, e com dirigentes estaduais. Topázio também rebate acusações de infidelidade partidária. “Repudio o rótulo de traidor que tentam, de forma covarde, me imputar”, escreveu.
Outro ponto destacado na carta é o cenário nacional. O prefeito menciona como fator relevante para sua saída a sinalização de que o PSD não apoiará uma eventual candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. “Nesse momento em que as forças de direita no Brasil deveriam se unir em torno de um nome sólido e viável, o PSD vai na direção contrária ao que deseja o eleitor catarinense”.
Ao justificar sua decisão final, Topázio afirma que busca evitar conflitos maiores dentro da legenda. “Jamais me perdoaria se uma decisão minha causasse qualquer desarmonia dentro do meu partido”, declarou. A saída do prefeito ocorre em meio à reorganização das forças políticas em Santa Catarina e expõe o racha no PSD às vésperas das articulações para as eleições de 2026.
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Comentários (1)
Não tem Santo q me faça votar em Flávio! Nem num 2° turno!