Tubarão imortal da Groenlândia vive 400 anos e enxerga no escuro
A vida em águas profundas, próximas de 0 °C, também contribui para esse ritmo biológico desacelerado
Entre os animais marinhos que mais despertam interesse científico, o tubarão-da-Groenlândia se destaca por combinar longevidade extrema, crescimento lento e resistência biológica fora do comum, vivendo possivelmente cerca de 400 anos nas águas frias e profundas do Atlântico Norte.
O que torna o tubarão-da-Groenlândia excepcionalmente longevo?
Pesquisas indicam que o tubarão-da-Groenlândia cresce apenas alguns centímetros por ano, atingindo grandes tamanhos após muitas décadas. Esse crescimento lento, aliado a um metabolismo reduzido, parece diminuir o desgaste celular e retardar processos típicos de envelhecimento.
A vida em águas profundas, próximas de 0 °C, também contribui para esse ritmo biológico desacelerado. Técnicas de datação por isótopos radioativos, sobretudo em tecidos oculares, apontam expectativas de vida superiores a 270 anos, com estimativas próximas de 400 anos em grandes fêmeas.
Um pedaço vivo da história está nadando sob o gelo do Ártico. Este tubarão da Groenlândia está vivo desde 1627.
— Artur Alves (@lebigh_official) February 2, 2026
Ele nasceu antes de Isaac Newton🦈pic.twitter.com/4BmKg1N9eE
Como a ciência estima a idade do tubarão-da-Groenlândia?
Como essa espécie não possui estruturas ósseas clássicas de anéis anuais, cientistas recorrem principalmente aos olhos para datar os indivíduos. O cristalino acumula carbono-14 ao longo da vida, permitindo estimar a idade por análise radioisotópica em laboratório.
Esses dados são cruzados com medições de tamanho e modelos de crescimento, aumentando a precisão. Expedições internacionais, sobretudo na região da Groenlândia, seguem coletando amostras para refinar as curvas de idade e entender melhor a dinâmica populacional.
Como o tubarão-da-Groenlândia enxerga em idade avançada?
Apesar de viver em ambientes com pouca luz e frequentemente apresentar parasitas aderidos aos olhos, a retina do tubarão-da-Groenlândia permanece funcional mesmo em exemplares muito antigos. Estudos apontam baixa taxa de morte celular e boa preservação dos tecidos oculares.
Pesquisadores destacam alguns fatores que ajudam a explicar essa manutenção da visão em profundidade extrema e ao longo de séculos:
- Retina preservada: poucos sinais de degeneração em animais centenários;
- Reparo de DNA eficiente: proteção contínua contra danos celulares;
- Rodopsina ativa: suporte à visão em baixíssima luminosidade;
- Olhos grandes: globos oculares comparáveis ao tamanho de uma bola de beisebol.
Por que o ciclo de vida do tubarão-da-Groenlândia preocupa a conservação?
Essa espécie apresenta maturidade sexual extremamente tardia, iniciando a reprodução apenas após muitas décadas de vida. A taxa reprodutiva é baixa, com poucos filhotes ao longo de um intervalo reprodutivo que pode superar um século.

O crescimento lento faz com que indivíduos com mais de 5 metros possam ter entre cerca de 120 e quase 400 anos. Como as populações demoram a se recuperar de perdas, a pesca acidental e mudanças no ambiente tornam o tubarão-da-Groenlândia especialmente vulnerável.
Quais perguntas esse tubarão ainda ajuda a responder?
O tubarão-da-Groenlândia tornou-se modelo para estudar envelhecimento saudável, proteção de tecidos sensíveis e adaptação a ambientes extremos. A forma como preserva os olhos inspira pesquisas em doenças humanas como degeneração macular, glaucoma e outras condições da retina.
Ainda restam dúvidas sobre detalhes da reprodução, estrutura populacional e impactos da mudança climática em seu habitat gelado. Cada nova expedição e análise de tecidos amplia a compreensão sobre como um vertebrado pode manter órgãos vitais funcionando por séculos nas profundezas do planeta.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)