PSOL quer investigação sobre jogo criado por alunos do ITA
Parlamentares acionam MPF após estudantes apresentarem projeto simulando perseguição a menina de 15 anos inspirado no caso Epstein
Deputados do PSOL acionaram o Ministério Público para pedir a abertura de inquérito no ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), após alunos do curso de Engenharia de Computação apresentarem, em 11 de março, um projeto de jogo de computador baseado no caso do financista americano Jeffrey Epstein.
O jogo simulava uma personagem feminina de 15 anos sendo mantida em uma ilha por seis homens e tentando escapar da “ilha de Epstein”. O episódio gerou repúdio de entidades estudantis e acendeu o debate sobre cultura institucional na universidade.
Pedido ao MPF
O deputado estadual Guilherme Cortez e o mandato coletivo da Bancada Feminista, ambos do PSOL, pediram ao MPF uma apuração de possível violação de direitos humanos, a análise do projeto acadêmico e a verificação da existência de protocolos institucionais de prevenção à violência de gênero no ITA.
Os parlamentares pedem ainda que o ITA passe a integrar o Pacto Nacional pelo Enfrentamento à Violência de Gênero no Ambiente Universitário, programa voltado ao acolhimento e ao combate a esse tipo de violência em espaços acadêmicos.
Em declaração ao jornal O Estado de S. Paulo, Cortez afirmou que “nossas instituições públicas de ensino precisam desenvolver tecnologias para resolver os problemas da sociedade e não aprofundá-los”. O deputado disse defender a liberdade de ensino prevista na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, mas pontuou que isso “não pode significar o direito de fazer apologia ao crime”.
A resposta do ITA
O ITA informou que o tema do jogo “foi imediatamente descartado após ser identificado como inapropriado” e que o caso “está sendo tratado de forma célere e responsável, dentro das normas vigentes”. A instituição anunciou que ações de conscientização serão reforçadas junto aos alunos por meio do Grupo de Trabalho de Equidade de Gênero.
A Força Aérea Brasileira (FAB), por meio do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), explicou que a atividade integrava uma aula de concepção de jogos interativos com foco em programação. Os estudantes foram convidados a apresentar propostas de temas a serem trabalhados ao longo do bimestre.
A Associação dos Engenheiros do ITA (AEITA), o Centro Acadêmico Santos Dumont (Casd) e a Associação Atlética Acadêmica do ITA divulgaram notas de repúdio, afirmando ser inaceitável tratar com banalidade a violência sexual e que a atitude não representa os valores da instituição.
Após o episódio vir a público, alunas e ex-alunas relataram que situações semelhantes já teriam ocorrido em outras ocasiões sem que mudanças concretas fossem adotadas. Algumas estudantes afirmaram sentir insegurança dentro da própria instituição.
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