Carteiras do Master vendidas ao BRB incluíam beneficiários do auxílio emergencial
Coaf aponta irregularidades em operações de R$ 16,4 bilhões envolvendo fundos ligados a Daniel Vorcaro
O Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) identificou irregularidades na venda de ativos do Banco Master para o BRB (Banco de Brasília) entre 2024 e 2025, incluindo a oferta de créditos de empresas abertas em nome de pessoas que receberam auxílio emergencial, segundo o Estadão.
De acordo com dados encaminhados à CPI do Crime Organizado, o órgão apontou suspeitas relacionadas ao aumento de capital do BRB com a participação de fundos ligados a Daniel Vorcaro, à venda de carteiras para o banco estatal e à substituição dessas carteiras, que totalizaram R$ 16,4 bilhões no período.
Em março do ano passado, o BRB fez uma proposta para comprar o banco de Vorcaro, mas a operação foi negada pelo Banco Central em setembro.
Entre maio e julho de 2024, o BRB registrou aumento de capital sustentado por aportes de quatro entidades, sendo três fundos suspeitos de irregularidades, todos ligados ao Master. Com esses fundos, Vorcaro e gestores da Reag se tornaram acionistas do BRB.
A partir do terceiro trimestre de 2024, o BRB passou a adquirir carteiras de crédito consignado e cartão consignado do Master, totalizando R$ 5,99 bilhões ao longo do ano. No acompanhamento das carteiras, foram identificadas operações que não tiveram origem diretamente no Banco Master, mas na empresa Tirreno. O Coaf destacou riscos, pois a Tirreno não é instituição financeira nem regulada pelo Banco Central.
Diante das irregularidades, o BRB adotou medidas de mitigação e negociou garantias adicionais de R$ 16,1 bilhões com o Master, sendo R$ 9,3 bilhões em direitos creditórios e R$ 6,8 bilhões em recursos em conta no próprio banco. Além disso, um aditivo contratual formalizou uma nova garantia adicional de R$ 6,2 bilhões, conforme os relatórios.
Os bancos passaram então a substituir as carteiras “podres” por outros ativos do Master, selecionados pelo BRB. As carteiras propostas para a troca somaram R$ 16,4 bilhões, mas também apresentaram problemas, segundo o Coaf. Três dessas carteiras envolviam pessoas de baixa renda e beneficiárias do auxílio emergencial durante a pandemia de covid-19.
As carteiras substitutas foram negociadas entre setembro de 2024 e novembro de 2025, data da liquidação do Master. Uma das carteiras, no valor de R$ 213 milhões, tinha origem em operação de direito creditório entre o Banco Master e a empresa Gran Viver Urbanismo S.A., cujos dois sócios haviam recebido o auxílio emergencial, segundo o Coaf.
Os três fundos ligados ao Master que se tornaram cotistas do BRB apresentaram suspeitas de irregularidades, conforme apontou o Coaf.
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