Os americanos que vivem presos no século XIX até os dias de hoje
Tratores, igrejas simples e filhos numerosos, a vida menonita em Wisconsin combina fé, trabalho rural e resistência à modernidade tecnológica
Uma estrada de terra, uma igreja simples, tratores gigantes e nenhum smartphone à vista: no norte de Wisconsin, uma comunidade menonita vive um cotidiano que parece ter parado no século XIX, organizando a vida em torno da fé, da família numerosa e do trabalho na terra, num universo quase secreto dentro dos Estados Unidos.
Quem são os menonitas e como essa comunidade surgiu
Os menonitas são um grupo cristão inspirado em Menno Simons, ex-padre católico que defendia o batismo apenas na idade adulta e a obediência estrita à Bíblia. Perseguidos na Europa, muitos migraram para os Estados Unidos, formando vilas rurais coesas, como essa no interior de Wisconsin.
Nessa comunidade, a igreja é o centro da vida social e espiritual, e homens e mulheres sentam separados durante o culto, refletindo papéis de gênero bem definidos. A interpretação literal da Bíblia influencia desde cumprimentos — como o “beijo santo” entre homens — até decisões sobre casamento, estudo e trabalho diário.

Por que essa comunidade limita estudos, internet e tecnologia
As crianças estudam apenas até a oitava série em uma escola local simples, e a universidade é vista como um ambiente arriscado espiritualmente. Temem dívidas, afastamento da família e a exposição a valores considerados contrários à fé, priorizando o serviço a Deus e a permanência na comunidade.
A internet e os smartphones também são evitados, vistos como fonte de distração e conteúdos “corruptores”. Celulares, quando existem, são modelos de flip voltados a ligações básicas, e plataformas como YouTube são conhecidas mais pela fama do que pelo uso efetivo, ainda que saibam por alto quem é Justin Bieber ou Taylor Swift.
Se você gosta de culturas únicas e histórias que parecem do passado, este vídeo do canal Drew Binsky, com 6,7 milhões de inscritos, foi escolhido para você. Nele, você descobre como os menonitas vivem em costumes do século XIX nos EUA, explorando tradições, desafios e um modo de vida que resistiu ao tempo.
Como é o cotidiano de famílias numerosas menonitas
As casas costumam abrigar famílias enormes, com avós que somam dezenas de netos e quartos compartilhados por vários irmãos e parentes. Sem internet, a convivência intensa entre gerações substitui redes sociais, com visitas constantes e espaços sempre cheios de gente.
A rotina gira em torno do trabalho doméstico e rural, com produção e armazenamento de alimentos para o inverno, orações coletivas antes das refeições e casamentos vistos como compromisso definitivo entre um homem e uma mulher. O namoro é um processo longo, focado em conversa sobre fé e metas, sem beijos ou carícias antes do casamento.
Quais regras moldam a juventude e o trabalho no campo
Os jovens crescem sob normas rigorosas de conduta, especialmente ligadas à sexualidade e ao consumo de conteúdo. A pornografia é tratada com tolerância zero, e insistir nesse tipo de comportamento pode significar perder posição e respeito dentro da comunidade.
Desde cedo, adolescentes participam de tarefas pesadas, como o abate de cervos em pequenos matadouros, aprendendo a caçar, processar carne e operar ferramentas. Para eles, trabalhar duro é prova de maturidade e responsabilidade, e muitas carreiras seguem ofícios internos, como mecânico, açougueiro ou agricultor.

Por que esse estilo de vida ainda se mantém em 2026
Apesar de evitarem internet em casa, os menonitas não vivem totalmente isolados e reconhecem a importância do mundo moderno para negócios agrícolas. Em Wisconsin, “Terra dos Laticínios”, eles se integram parcialmente ao mercado por meio de fazendas leiteiras, pomares de maçã, criação de galinhas e pequenos comércios.
Segundo o ministro local, tudo só faz sentido por causa da fé, entendida como escolha consciente de seguir a Bíblia em todas as áreas da vida. A oração permeia o trabalho com tratores ou em lojas, e a meta não é um estilo de vida pitoresco, mas a preparação diária para uma recompensa eterna ao lado de Jesus, mantendo viva uma cultura distinta dentro dos Estados Unidos.
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