Microsoft entra na briga entre Anthropic e Pentágono
Big tech pede à Justiça que suspenda decisão do Departamento de Defesa contra a startup de IA; conflito expõe tensões com o governo Trump
A Microsoft apresentou na terça-feira, 10, um documento judicial em apoio à Anthropic, criadora do assistente de IA Claude, em processo movido pela startup contra o Departamento de Defesa dos Estados Unidos. A empresa pediu que uma ordem judicial suspenda a decisão do Pentágono de classificar a Anthropic como “risco à cadeia de suprimentos”.
O pedido foi protocolado como “amicus curiae”, expressão latina para “amigo da corte”, nos tribunais da Califórnia e do Distrito de Columbia. A Microsoft se posiciona, assim, como a primeira grande empresa de tecnologia a tomar partido público na disputa entre a Anthropic e o governo Trump.
O que originou o conflito
A ruptura entre a Anthropic e o Pentágono ocorreu no final de fevereiro, quando as negociações em torno de um contrato de uso militar da tecnologia da empresa chegaram a um impasse. O fundador e CEO da startup, Dario Amodei, impôs restrições ao uso de seus modelos de IA, proibindo a aplicação em armamentos autônomos letais e em sistemas de monitoramento em massa da população americana.
Diante da recusa, o secretário de Defesa Pete Hegseth adotou medidas para excluir a Anthropic da cadeia de fornecedores do Departamento. A classificação aplicada ao caso é a mesma usada habitualmente contra empresas de países como China e Rússia – nunca antes utilizada contra uma companhia americana.
O governo federal também determinou que agências federais interrompessem o uso do Claude, como parte de uma iniciativa contra o que a administração denomina IA “woke”.
Argumento da Microsoft e reações do setor
No documento enviado à Justiça, a Microsoft descreveu as medidas do Pentágono como “drásticas” e “sem precedentes”, alertando que poderiam trazer “amplas consequências negativas” para o setor de tecnologia dos Estados Unidos. A empresa afirmou que uma decisão judicial suspensiva abriria espaço para negociações e para “uma discussão fundamentada” sobre o emprego de IA em operações militares e de inteligência.
A companhia declarou que sua posição é a de que “a IA deve ser focada em casos de uso legais e adequadamente protegidos”, e que “não deve ser usada para conduzir vigilância em massa doméstica ou colocar o país em uma posição em que máquinas autônomas possam iniciar uma guerra de forma independente”.
A Microsoft também alertou que interromper o acesso à Anthropic de forma abrupta poderia “prejudicar os combatentes americanos em um momento crítico”, argumento que usa a própria lógica do Departamento de Defesa para contestar a medida.
Na segunda-feira,9, mais de 30 pesquisadores vinculados ao Google e à OpenAI, entre eles Jeff Dean, cientista-chefe do DeepMind, assinaram uma carta de apoio à Anthropic. A Casa Branca e o Pentágono não responderam aos pedidos de comentário até o fechamento da reportagem.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)