Apex sem cabeça
A Apex está no centro de uma disputa interna desde antes de o governo tomar posse.
O diretor de Gestão Corporativa da Apex, Márcio Coimbra, escreveu neste domingo (28) que pediu demissão do cargo.
A Apex está no centro de uma disputa interna desde antes de o governo tomar posse. Em dezembro, O Antagonista publicou que as equipes de Paulo Guedes e Ernesto Araújo competiam pelo controle da pasta. Eduardo Bolsonaro comprou a briga publicamente em favor do Itamaraty – e fica cada vez mais claro o porquê. Próxima a ele, a diretora de Negócios, Letícia Catelani, tem cada vez mais dado as cartas na agência. Siga o fio:
– Alex, o Breve
Levei ao Presidente Bolsonaro o nome do gestor público Alexandro Carreiro para a Presidência da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX), que permanecerá vinculada ao Itamaraty e atuará em estreita coordenação com todo o Governo. pic.twitter.com/6WN2b83ULe
— Ernesto Araújo (@ernestofaraujo) December 6, 2018
Para presidir a Apex, Araújo indicou primeiro o publicitário Alecsandro Carreiro, filiado ao PSL. Ele não tinha experiência na área de comércio exterior nem fluência em inglês. Um de seus primeiros atos foi a demissão de 17 funcionários – muitos com ampla experiência – sob a alegação de serem petistas. Mas Letícia Catelani se opôs à reestruturação.
Carreiro foi exonerado em 9 de janeiro, sendo a primeira baixa do governo Bolsonaro. Curiosamente, ele se agarrou ao emprego e foi despachar mesmo demitido, porque a palavra final sobre esse cargo é do presidente. Carreiro só parou quando Bolsonaro publicou uma foto com o novo chefe da Apex, o embaixador Mario Vilalva:
Recebi hoje o embaixador Mário Vilalva, indicado pelo Chanceler Ernesto Araújo para o cargo de Presidente da Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX). Boa noite a todos! pic.twitter.com/zs45lpyqMC
— Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) January 10, 2019
– Vilalva, o Veloz
Mas Vilalva também não durou muito. Ficou três meses no cargo. O embaixador acusou Araújo de aplicar um golpe na Apex, mudando o estatuto sem consultá-lo. O novo texto retirou poderes da presidência e ampliou a força dos diretores, como Catelani. Tem mais: ela e o então diretor Márcio Coimbra ganharam uma porta de blindex com controle de acesso para suas salas. Até Vilalva precisava de autorização para entrar nas salas de seus próprios subordinados.
Vilava foi demitido em 9 de abril, poucos dias depois da publicação na imprensa do episódio das portas.
Uma consulta ao Diário Oficial mostra que ainda não foi nomeado um novo presidente para a Apex. Até a publicação deste texto, o nome de Vilalva ainda constava no site oficial da agência. Já são 20 dias sem cabeça.
O orçamento da Apex é de quase 800 milhões de reais por ano.
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