Por que a fiação do Brasil é tão bagunçada comparada a outros países?
Entenda os desafios de remover cabos elétricos e de telecomunicações do Brasil e os benefícios de investir em redes subterrâneas
A cena é comum em qualquer grande cidade brasileira: postes carregados de cabos, fios embolados por todos os lados e aquela sensação de que a fiação elétrica virou parte da paisagem, em contraste com metrópoles como Paris, Nova York e Madrid, onde os cabos praticamente desapareceram das ruas, levantando a dúvida sobre por que o Brasil ainda mantém tantos fios aparentes.
Por que o Brasil ainda tem tanta fiação aérea nas cidades?
Menos de 1% da malha elétrica brasileira está no subsolo, e os postes se tornaram “condomínios” de energia, telefonia, TV a cabo e internet. Cada empresa instala novos cabos, mas muitas não retiram os antigos, somando fios obsoletos, clandestinos e desorganizados de norte a sul do país.
Esse acúmulo é mais visível em áreas periféricas, onde padrões de instalação são pouco fiscalizados. O resultado é poluição visual, postes sobrecarregados e uma rede mais vulnerável a falhas, choques e curtos-circuitos, afetando diretamente a segurança e a confiabilidade do serviço.

Como a energia chega à tomada e se mistura a outros cabos?
O caminho da energia começa nas usinas, segue por longas linhas de transmissão até subestações e, de lá, entra nas cidades pelas redes de distribuição. É nesse estágio urbano que os cabos de energia passam a dividir espaço com telefonia, internet e fibra óptica nos mesmos postes.
Sem coordenação rigorosa entre concessionárias e empresas de telecomunicações, sobram improvisos: fios caídos, remendos visíveis e ligações irregulares. Isso encarece a manutenção, atrasa reparos em caso de falhas e aumenta o risco de incidentes para técnicos e moradores.
Enterrar fios é muito mais caro e o que dificulta essa mudança?
Enterrar a fiação custa, em média, de quatro a oito vezes mais do que mantê-la no alto. Um quilômetro de rede aérea pode girar em torno de R$ 100 mil, enquanto a mesma extensão subterrânea pode chegar a R$ 840 mil ou mais, devido a cabos especiais, dutos, caixas de passagem e câmaras técnicas.
Além do custo, há obstáculos legais e operacionais: conflitos entre leis municipais e normas federais, falta de planejamento integrado e obras complexas em áreas densas, com trânsito intenso e redes de água, gás e esgoto pouco mapeadas, o que torna cada projeto lento e arriscado.
Se você quer entender os motivos por trás do caos da fiação elétrica no Brasil, este vídeo do canal Conhecimento Global, com 376 mil subscritores, foi escolhido especialmente para você. O documentário completo revela problemas históricos, técnicos e de infraestrutura que impactam diretamente o dia a dia.
Quais riscos a fiação aérea traz e quais vantagens há na rede subterrânea?
A exposição dos fios deixa a rede mais sensível a tempestades, quedas de árvores e colisões com postes, causando apagões longos e prejuízos econômicos. Entre 2009 e 2024, milhares de ocorrências e mortes foram registradas em situações envolvendo cabos elétricos e de telecomunicações em todo o país.
Redes subterrâneas reduzem interrupções, melhoram a segurança e ainda transformam o ambiente urbano, com menos poluição visual e mais liberdade para arborização e circulação de pedestres. Em países europeus, o tempo médio anual sem energia é de minutos, contra várias horas no Brasil.
O que o exemplo de outras cidades mostra sobre o futuro no Brasil?
Cidades como Nova York, Paris, Madrid e Buenos Aires levaram décadas para consolidar redes subterrâneas, com metas graduais, legislação estável e integração entre governos e concessionárias. Em muitos casos, a remoção de fios aéreos foi combinada com reformas de calçadas, drenagem e transporte público.
No Brasil, especialistas defendem políticas de Estado com metas de longo prazo, definição clara de quem paga a conta e estímulos à indústria nacional de cabos e equipamentos. Eventos climáticos extremos e grandes apagões tendem a pressionar cada vez mais por esse tipo de investimento, que vai além da estética e se conecta à segurança, economia e qualidade de vida urbana.
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