Leila Pereira, presidente da Crefisa, é convocada à CPMI do INSS
Empresária terá de depor na segunda-feira, 9, como testemunha em investigação sobre irregularidades no pagamento de benefícios previdenciários
A CPMI do INSS agendou para 9 de março o depoimento de Leila Pereira, presidente da Crefisa e do Palmeiras. A data marca o dia seguinte à decisão do Campeonato Paulista, em que o clube alviverde enfrenta o Novorizontino fora de casa, em Novo Horizonte.
Procurada, a empresária não se manifestou sobre a convocação.
O requerimento foi apresentado pelo relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), e pelo deputado Sidney Leite (PSD-AM), em sessão que precisou ser interrompida por conta de uma briga entre parlamentares. Na mesma data, também será ouvido Marcelo Kalim, sócio-fundador e CEO do C6 Bank.
A Crefisa e o contrato suspenso
A Crefisa detém parte da folha de pagamento de novos benefícios previdenciários desde outubro de 2024, quando arrematou um pregão federal. A partir daí, a empresa passou a concentrar parcela expressiva das operações de pagamento – fato que, segundo o relator Alfredo Gaspar, é o motivo central da convocação.
O contrato entre a Crefisa e o INSS foi suspenso de forma cautelar em agosto de 2025. O órgão justificou a medida após registrar reclamações de beneficiários em diferentes canais de atendimento. As irregularidades apontadas incluem dificuldade no recebimento do benefício, pressão para abertura de conta-corrente, venda de produtos não solicitados e ausência de estrutura adequada nas agências.
Denúncias de “graves falhas operacionais, contratuais e sistêmicas” motivaram o INSS a paralisar parte dos contratos com a instituição financeira. As práticas identificadas, se confirmadas, configuram o que a legislação brasileira chama de venda casada – prática vedada pelo Código de Defesa do Consumidor.
Testemunha, não investigada
Leila Pereira foi convocada na condição de testemunha. Diferentemente de um investigado, a testemunha não pode permanecer em silêncio: está obrigada a responder às perguntas dos parlamentares e a dizer a verdade. Omissões ou declarações falsas configuram crime de falso testemunho.
Os deputados esperam que ela explique as irregularidades detectadas pelo INSS, informe quais providências foram adotadas pela empresa e em que prazo, além de esclarecer a responsabilidade da administração da Crefisa diante das restrições impostas pelo órgão previdenciário.
A comissão quer entender, em particular, se houve ação ou omissão da diretoria da empresa na manutenção das práticas que levaram às restrições. O depoimento está previsto para ocorrer em Brasília, no âmbito dos trabalhos da CPMI, que investiga o esquema de fraudes no INSS.
Quem será ouvido na CPMI?
O senador Carlos Viana, relator da Comissão, publicou em sua conta no X o cronograma de oitivas da CPMI do INSS.
Quinta-feira, 05/03
Cecílio Galvão – (Coercitiva em curso)
– Presidente Daprev Rodrigo Ortiz D’Avila Assumpção
Segunda-feira 9/03
– Leila Pereira, representante da Crefisa
– Marcelo Kalim, representante do C6
Quarta-feira 11/03
– Augusto Lima — Proprietário do Banco Pleno e ex-sócio de Daniel Vorcaro
Quinta-feira 12/03
– Paulo Negreiros, tesoureiro da CBPA
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