BNDES aumenta para R$ 370 bi crédito do Nova Indústria Brasil
Banco superou objetivo original do Nova Indústria Brasil e estuda nova rodada de apoio a exportadores afetados por tarifas dos Estados Unidos
O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) aumentou de R$ 300 bilhões para R$ 370 bilhões a meta de financiamento do programa Nova Indústria Brasil (NIB). O anúncio foi feito nesta sexta-feira, 27, pelo presidente da instituição, Aloizio Mercadante.
Os recursos foram alocados em áreas como transformação digital, cadeias agroindustriais, infraestrutura, tecnologia de interesse estratégico e bioeconomia. A distribuição geográfica permanece concentrada: 49% do total liberado no período foram destinados à região Sudeste, seguida pelo Sul.
Mercadante admitiu que o banco tem buscado ampliar a participação do Nordeste e do Norte, sem que os esforços tenham revertido o desequilíbrio histórico.
Nova rodada de crédito para exportadores
O governo estuda lançar uma segunda versão do Brasil Soberano, programa de crédito voltado a empresas exportadoras afetadas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos.
“Os recursos já existem, agora tem que ser modelado, a Fazenda está estudando. Os critérios do Brasil Soberano não favoreciam, porque o peso na pauta de exportações de alguns setores é menor do que o outro”, afirmou o presidente do BNDES.
A reformulação dos critérios de elegibilidade seria o ponto central das discussões em curso entre o banco e o Ministério da Fazenda.
Clima, energia e inteligência artificial
Na agenda ambiental, Mercadante informou que 40% dos recursos do Fundo Clima foram direcionados à indústria, com redução estimada de 95,5 milhões de toneladas de CO₂ equivalente – volume que, segundo o banco, corresponderia à retirada de aproximadamente 20 milhões de automóveis das vias por ano. O BNDES também afirma ter destinado mais de R$ 200 bilhões a projetos de energia limpa desde o início do governo Lula.
No setor automotivo, o foco declarado recai sobre veículos híbridos, considerados compatíveis com a matriz energética do país. Projetos de desenvolvimento da cadeia nacional de baterias, inclusive em parceria com a fabricante WEG, integram a agenda de descarbonização industrial.
O presidente do banco também abordou o tema da inteligência artificial, e defendeu que o Brasil deixe de ser apenas consumidor de tecnologia estrangeira.
“O Brasil precisa ser produtor de inteligência artificial, não podemos ser só consumidores. Precisamos ter um LLM, precisamos ter o nosso universo cultural, histórico, desenvolvido para poder avançar na nossa identidade”, disse Mercadante.
Segundo ele, o BNDES destinou R$ 4,7 bilhões a projetos ligados à IA nos últimos dois anos, com ênfase na instalação de data centers, mas também em desenvolvimento de software, aplicações industriais e modelos de linguagem de grande porte.
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Comentários (1)
Marian
27.02.2026 19:34O futuro da indústria brasileira está no Paraguai, que tem adotado a política econômica de diminuição de impostos. Inteligente não é mesmo?