Dennys Xavier na Crusoé: Entre salvadores e frustrações
O Brasil e a doença do messianismo político
Entre Lula e Flávio Bolsonaro, segundo pesquisas recentes que apontam empate técnico em um eventual segundo turno, o país parece novamente suspenso naquela atmosfera conhecida de decisão histórica que nos coloca entre a cruz e a espada, segundo o dito popular.
A sensação é sempre a mesma: como se estivéssemos diante de um momento absoluto, definitivo, daqueles que separam eras.
Já li em diversas páginas de comentaristas do cotidiano: “a eleição mais importante do século”. É a mesma fórmula, que aparece em todos os pleitos.
E vamos nós, de novo, para mais uma década perdida.
A cada eleição presidencial, o Brasil revive essa expectativa carregada, quase dramática, como se o futuro inteiro coubesse em um nome. “Quem será o ser sagrado que nos guiará para longe de nós mesmos, rumo ao hiperurânio, ao céu da boa-venturança?”.
O curioso é que essa intensidade não se explica apenas pela disputa política concreta. Há algo mais profundo, mais antigo, que antecede qualquer candidatura específica.
Nossa cultura política carrega uma disposição persistente ao personalismo, uma tendência a investir o governante de uma missão que ultrapassa em muito os limites institucionais do cargo.
O presidente deixa de ser um gestor temporário de estruturas estatais e passa a encarnar um projeto moral, uma promessa de reconstrução, uma resposta às frustrações acumuladas. Um sebastianismo chinfrim que teima em não nos abandonar, pelo contrário. Volta sempre mais e mais forte, rejuvenescido.
Essa característica não surgiu por acaso.
Antonio Paim observou, ao analisar a formação do liberalismo no Brasil, que nossa trajetória institucional foi marcada por descontinuidades e fragilidades que abriram espaço para soluções centradas em figuras demagógicas centralizadoras.
Em vez de consolidarmos, ao longo do tempo, uma cultura sólida de limitação do poder e responsabilidade individual, alternamos ciclos de centralização e expectativas depositadas em líderes específicos.
Quando as instituições não se tornam o eixo da confiança pública…
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Comentários (1)
Pior: são "líderes" descaradamente populistas! O resultado é sempre o mesmo: seja "direita" ou esquerda!