Funkeiro investigado por golpes é alvo de operação policial em SP
João Vitor Ribeiro, o MC Negão Original, não foi localizado pela polícia; bloqueio judicial é de até R$ 100 milhões
João Vitor Ribeiro, conhecido artisticamente como MC Negão Original, tornou-se um dos principais alvos de uma operação policial deflagrada nesta terça-feira, 24, em São Paulo.
A ação, batizada de Operação Fim da Fábula, foi conduzida pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) em conjunto com o Ministério Público de São Paulo, e mobilizou cerca de 300 policiais.
O cantor, que acumula mais de 11 milhões de ouvintes mensais no Spotify, não foi encontrado nos dois endereços visitados pela polícia na região metropolitana paulista.
A operação teve como objetivo desarticular uma organização criminosa suspeita de aplicar fraudes em São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal. Até o momento, ao menos 12 pessoas foram presas, todas em território paulista. No total, foram expedidos 53 mandados de prisão temporária e 120 mandados de busca e apreensão.
O que a polícia apura
Segundo o delegado Fernando Santiago, do Deic, o artista teria colocado apartamentos à disposição do grupo para uso como base de operações criminosas. Equipamentos apreendidos nesses locais – notebooks e celulares – estão sendo analisados.
“Os relatórios de inteligência financeira do Coaf demonstraram uma alta movimentação financeira atípica desse artista, inclusive com estelionatários”, afirmou Santiago em coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira, 24.
Ribeiro também é investigado por supostamente ter operado uma casa de apostas clandestina voltada a seguidores. De acordo com a polícia, a plataforma era manipulada para impedir que os usuários recebessem os prêmios prometidos.
“Ela era desenvolvida apenas para a banca ganhar, impossibilitando que a vítima conseguisse os valores que eram prometidos”, disse o delegado.
Entre as modalidades de fraude investigadas estão o golpe do “falso advogado” – em que criminosos se passam por profissionais jurídicos para solicitar transferências via Pix – o golpe do INSS, com abordagens fraudulentas em nome da previdência social, e o da “mão fantasma”, que consiste na invasão remota de celulares por meio de links maliciosos.
Bloqueio milionário e alcance da investigação
A pedido do MP-SP, a 2ª Vara Especializada em Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da capital paulista autorizou o bloqueio de até R$ 100 milhões em cada uma das 86 contas correntes identificadas na investigação, de pessoas físicas e jurídicas. Ao menos 66 vítimas foram mapeadas até agora.
Os crimes apurados incluem associação para cometimento de fraude, estelionato por meios digitais e lavagem de dinheiro, com uso de casas de apostas e fintechs.
“Hoje não estamos apenas cumprindo mandados. Estamos alterando a equação financeira da organização criminosa”, declarou o delegado Clemente Calvo Castilhone Junior. “E sem recursos, não há comando. Sem comando, não há estrutura. Sem estrutura, não há organização”.
De acordo com o Estadão, a defesa de João Vitor Ribeiro informou, em nota, não ter tido acesso aos autos do processo. O texto afirma que o cantor é “uma pessoa idônea, com trajetória profissional consolidada” e que sua inocência será comprovada.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)