CNI: Redução da jornada de trabalho pode elevar custos de empresas em até R$ 267 bi
Aprovação de lei que preveja escala 5x2, com jornada de no máximo 40 horas semanais, é uma das prioridades do governo Lula
A redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, como defende o governo Lula (PT), pode aumentar entre 178,2 bilhões de reais e 267,2 bilhões de reais por ano os custos com empregados formais na economia, o equivalente a um acréscimo de até 7% na folha de pagamentos. A análise é da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e foi divulgada nesta segunda-feira, 23.
Segundo a entidade, a projeção leva em consideração dois cenários para a manutenção do nível de horas trabalhadas: a realização de horas extras aos empregados atuais ou a contratação de novos trabalhadores.
“Proporcionalmente, o impacto para o setor industrial pode ser ainda maior, chegando a até 11,1% da folha de salários e resultando em aumento de despesas de 87,8 bilhões de reais no primeiro cenário e de 58,5 bilhões de reais anuais no segundo”, acrescenta o comunicado.
Pela projeção, os impactos serão sentidos com mais força na indústria da construção e nas micro e pequenas empresas industriais. “De um total de 32 setores industriais, 21 apresentariam elevação de custos acima da média da indústria, independentemente da estratégia adotada pela empresa para ] manter o número de horas atuais de produção”.
Ainda de acordo com a confederação, a redução da jornada teria como resultado imediato o aumento de cerca de 10% no valor da hora trabalhada regular para os empregados cujo contrato de trabalho atual exceda 40 horas semanais. Se as horas não forem repostas, a redução do limite semanal resultará em queda da atividade econômica.
“Esses dados, combinados com as análises que estamos fazendo sobre o tema, mostram que o mais provável é que a produção seja reduzida e o custo unitário do trabalho aumente, trazendo pressão de custos e perda de competitividade das empresas nacionais. Essa dinâmica provoca queda da produção, do emprego e da renda e, consequentemente, do PIB brasileiro”, diz o presidente da CNI, Ricardo Alban.
No cenário de manutenção da quantidade de horas trabalhadas integralmente por meio de horas extras, empresas com até nove empregados teriam uma alta de custos de 6,8 bilhões de reais, o que representa um aumento de 13% nos gastos com pessoal. Nas empresas com 250 empregados ou mais, o aumento atingiria 41,3 bilhões de reais (9,8% nos gastos com pessoal).
Já no cenário de manutenção da quantidade de horas trabalhadas por meio da reposição por outros trabalhadores, as indústrias com até nove empregados teriam alta de custos de 4,5 bilhões de reais (aumento de 8,7% nos gastos com pessoal). E nas empresas com 250 empregados ou mais, o aumento seria de 27,5 bilhões de reais (6,6% nos gastos com pessoal).
A aprovação de uma lei que preveja uma escala de no máximo cinco dias de trabalho por dois dias de descanso, com jornada de no máximo 40 horas semanais, sem redução de salário, para todos os setores da economia, é uma das prioridades do governo Lula neste semestre.
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