O deserto que não seca: dunas douradas, água cristalina e o lugar onde ninguém consegue afundar
O deserto que não seca: dunas douradas e fervedouros únicos no mundo no coração do Cerrado
Dunas alaranjadas de até 40 metros de altura, rios de água tão cristalina que parecem vidro e nascentes onde ninguém consegue afundar.
O Jalapão, no leste do Tocantins, é uma das paisagens mais improváveis do Brasil: um “deserto” que esconde cachoeiras, piscinas naturais e uma das maiores redes fluviais do Cerrado.
Um deserto cheio de água: como o Jalapão é possível
O apelido de deserto cola porque a paisagem impressiona: vegetação rasteira de savana, areias douradas, chapadas de arenito que o vento molda há milhões de anos. Mas o Jalapão é, ao mesmo tempo, um paraíso aquático. Seis rios principais atravessam a região, entre eles o Rio Novo, considerado um dos poucos rios de água potável do mundo. Cachoeiras, corredeiras e lagoas pontuam o cerrado em quase todos os sentidos.

A explicação está no solo. A rocha arenítica funciona como uma esponja: absorve a chuva, alimenta o lençol freático e faz a água emergir com força em poços chamados fervedouros. São nascentes subterrâneas que jorram com pressão tão intensa que ninguém consegue tocar o fundo, mesmo em poços com 70 metros de profundidade. Há cerca de 20 fervedouros conhecidos na região, cada um com visitação controlada de até dez pessoas por vez.

O que fazer no maior parque estadual do Tocantins?
O Portal de Turismo do Tocantins lista os principais atrativos do parque, que ocupa 159 mil hectares distribuídos entre os municípios de Mateiros e São Félix do Tocantins. Guia local é essencial para chegar com segurança às atrações, já que os acessos são por estradas de terra e areia que exigem veículo com tração 4×4.
- Fervedouros: nascentes subterrâneas onde a pressão d’água empurra o banhista para cima. O efeito é de flutuar sobre um colchão transparente, com areia suspensa e fundo invisível lá embaixo.
- Dunas do Jalapão: o cartão-postal da região. Formadas pela erosão do arenito avermelhado, atingem até 40 metros e enquadram um dos pores do sol mais fotografados do Centro-Oeste.
- Cachoeira da Velha: a mais imponente do Jalapão, com 100 metros de largura e queda de 20 metros no Rio Novo. Abaixo dela, a Prainha do Rio Novo serve de acampamento e ponto de chegada do rafting.
- Cachoeira da Formiga: pequena queda de menos de dois metros, mas com um poço de tom azul-esverdeado que parece editado. Fica a 36 km de Mateiros.
- Serra do Espírito Santo: trilha de 8 km com subida por rochas de até 300 metros. No topo, a vista descortina as dunas, as veredas de buritis e as serras coloridas ao fundo.
- Rafting no Rio Novo: descida de seis quilômetros de corredeiras, com duração de até três horas. Um dos passeios mais procurados da região, com opção de canoagem para quem prefere ritmo mais tranquilo.
Quem sonha em conhecer o Jalapão, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rolê Família, que conta com mais de 284 mil inscritos, onde o Gustavo mostra um roteiro de 5 dias pelo Tocantins:
Quando visitar o Jalapão e como se preparar?
O calor predomina o ano inteiro, com temperatura média de 30°C. A estação seca, de maio a setembro, oferece as melhores condições de acesso: estradas mais firmes, céu azul e rios com nível favorável para banho. Setembro é o mês especial para quem quer ver o capim-dourado em flor e participar da Festa da Colheita em Mumbuca.
Independentemente da época, leve protetor solar, chapéu, repelente e água em abundância. A maioria dos atrativos fica longe de postos e comércios. Dinheiro em espécie é indispensável, pois boa parte dos estabelecimentos da região não opera com cartão.
Como chegar ao paraíso escondido do Cerrado?
A porta de entrada do Jalapão é Palmas, capital do Tocantins, que recebe voos diretos de São Paulo, Brasília e Goiânia. De lá, o percurso até a cidade base de Mateiros é de aproximadamente 300 km, percorridos em cinco a sete horas com veículo 4×4.
As principais rotas de acesso são a TO-050 até Porto Nacional e depois a TO-255 até Ponte Alta do Tocantins, considerada a porta sul do Jalapão, ou a TO-020 pelo norte, passando por Novo Acordo. A partir das cidades-base, os atrativos são acessados por estradas de areia que exigem experiência e guia local.

Conheça o deserto que o Cerrado escondeu do Brasil
O Jalapão chegou tarde ao imaginário dos viajantes brasileiros e continua sendo um destino que recompensa quem enfrenta o caminho. A distância e o acesso difícil preservaram paisagens que parecem pertencer a outro planeta.
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