Igreja critica desfile da Acadêmicos de Niterói
Arquidiocese do Rio questiona uso de símbolos religiosos e familiares em apresentação da Acadêmicos de Niterói, rebaixada no Carnaval 2025
A Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro divulgou nota em que manifesta preocupação com a maneira como símbolos da fé cristã e da instituição familiar foram representados no Carnaval do Rio de Janeiro.
Embora não mencione nominalmente nenhuma escola de samba, o comunicado “A Importância da Família e da Religião” é visto como um comentário crítico ao desfile da Acadêmicos de Niterói, realizado no domingo, 15, na Marquês de Sapucaí. Nesta quarta-feira, 18, a agremiação foi rebaixada.
Provocações à família e à religião
A Acadêmicos de Niterói levou à avenida um enredo de crítica ao que a escola denominou “neoconservadorismo”. Uma das alas exibiu fantasias que reproduziam latas de conserva, trazendo estampadas a imagem da chamada família tradicional – composta por homem, mulher e filhos.
Em documento entregue à Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), a escola indicou que, entre os grupos identificados com o neoconservadorismo, figuravam representantes do agronegócio, membros da classe alta, defensores do regime militar e evangélicos.
O enredo ganhou visibilidade por homenagear o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em ano de eleições. Membros da oposição recorreram à Justiça para tentar impedir a apresentação, sem êxito.
A resposta da Arquidiocese
No texto divulgado, “a Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro manifesta sua preocupação a respeito da utilização de símbolos da fé cristã e da instituição familiar em manifestações culturais de maneira que compreendemos como ofensiva”.
A nota reconhece a dimensão festiva do Carnaval, mas estabelece um limite. “Reconhecemos a cultura popular como expressão da identidade brasileira, espaço de criatividade, encontro e alegria. Ao mesmo tempo, é preciso que tais manifestações respeitem convicções religiosas profundas e valores que estruturam a vida social e são invioláveis para as pessoas desta cidade”, acrescenta o texto.
“A fé continua ocupando um lugar essencial na vida social, permanecendo viva, influente e fundamental na formação ética e moral da sociedade. Ataques ou desrespeito a ela atingem não apenas as instituições, mas também a consciência de milhões de cidadãos”, diz o documento.
O comunicado encerra conclamando o diálogo entre liberdade de expressão e responsabilidade. “Reafirmamos nosso compromisso com a defesa da fé, da dignidade da família, da liberdade religiosa, da liberdade de expressão e da construção de uma cultura de diálogo e paz. Direitos fundamentais como a liberdade de expressão caminham lado a lado com responsabilidade e respeito mútuo”, conclui a nota.
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