Seu filho acorda gritando e não lembra de nada? Esse pode ser o motivo
Os chamados terrores noturnos podem transformar a rotina da casa em momentos de grande tensão
Os chamados terrores noturnos podem transformar a rotina da casa em momentos de grande tensão. A criança senta na cama, grita, parece apavorada e não reconhece quem está por perto, mas no dia seguinte não se lembra do ocorrido.
Entender esse fenômeno ajuda a reduzir a angústia da família e a adotar medidas práticas de cuidado.
O que são terrores noturnos e em que eles diferem dos pesadelos?
Os terrores noturnos infantis fazem parte das parasomnias, isto é, comportamentos estranhos durante o sono. Ocorrem em sono profundo não REM, geralmente nas primeiras horas da noite, quando o cérebro não está em fase típica de sonhos.
Já os pesadelos acontecem em sono REM, com sonhos mais estruturados e lembrados ao despertar. No terror noturno, a criança permanece parcialmente adormecida, não reage bem aos chamados e costuma não ter lembrança do episódio pela manhã.

Quais sinais físicos e comportamentais costumam aparecer nos episódios?
Durante o episódio de terror noturno, é frequente notar respiração acelerada, coração disparado, sudorese intensa e olhos bem abertos. A criança pode gritar, chorar, sentar-se bruscamente, parecer em pânico e não reconhecer os responsáveis.
Muitas vezes, ela se debate, tenta sair da cama ou andar pela casa, sem estar totalmente acordada. Apesar da aparência de medo extremo, não sente dor física consciente, o que explica a dificuldade de interação e de consolo naquele momento.
Por que os terrores noturnos acontecem com mais frequência em crianças?
O terror noturno em crianças é mais comum entre 3 e 12 anos, fase em que o sistema nervoso ainda está em maturação. A privação de sono e horários muito irregulares aumentam o risco, favorecendo transições bruscas entre fases do sono.
Também podem contribuir: histórico familiar de parasomnias, febre, estresse, mudanças importantes na rotina, alguns medicamentos, ambiente barulhento ou com muita luz. Em poucos casos, há associação com distúrbios como apneia do sono, o que exige avaliação médica.
Como agir durante um episódio de terror noturno em casa?
Durante o episódio, o foco principal deve ser a segurança, não acordar a criança à força. Intervenções bruscas tendem a prolongar ou intensificar o quadro, que geralmente é breve e passa espontaneamente.
O Dr Eduardo Adnet explicou detalhadamente o que é o terror noturno:
Algumas medidas práticas ajudam a proteger a criança e a tranquilizar os cuidadores:
- Manter o quarto sem objetos cortantes, móveis com quinas expostas ou brinquedos duros perto da cama.
- Usar grades adequadas em beliches ou camas altas, se houver risco de queda.
- Permanecer por perto, falar em tom calmo e baixo, sem sacudir nem forçar o despertar.
- Guiar suavemente de volta à cama, caso ela ande pela casa.
Quando o despertar programado ou ajuda médica são necessários?
O despertar programado pode ser útil quando os episódios têm horário previsível. Observa-se o intervalo entre o adormecer e o início da crise e, em noites seguintes, acorda-se a criança suavemente 15 a 30 minutos antes, por alguns minutos, quebrando o padrão de sono.
Procure pediatra, neurologista ou especialista em sono se os episódios forem quase diários, muito intensos, com risco de ferimentos, se houver sonolência diurna importante, queda escolar, roncos fortes ou pausas respiratórias.
A avaliação profissional orienta ajustes na rotina de sono e investiga possíveis doenças associadas.
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