Crusoé: O problema Toffoli
Ministro afunda STF na crise do Banco Master e se expõe a impeachment. E mais: Carnaval sem saidinha
Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) recorrem frequentemente à retórica da defesa das instituições democráticas para se blindar de críticas diversas. As últimas notícias sobre Dias Toffoli desta semana inviabilizam completamente essa narrativa.
Se existe hoje uma ameaça às instituições democráticas brasileiras, ela nasce da utilização que alguns magistrados fazem dos seus cargos públicos para obter benefícios pessoais.
Na noite de quinta, 12, Toffoli anunciou que deixaria a relatoria das investigações sobre fraudes no Banco Master. A decisão, tomada a contragosto, só ocorreu depois que o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, entregou um relatório de 200 páginas ao presidente do STF, Edson Fachin, com menções ao ministro Toffoli ao longo das investigações sobre o Banco Master. Investigadores que atuam no caso classificaram os achados como “bombásticos” e com capacidade de implodir a República.
No meio da confusão, Toffoli solicitou à Polícia Federal o envio de todas as provas e de todas as conversas extraídas do celular de Daniel Vorcaro. As suspeitas só aumentaram. Fachin, então, abriu um processo de suspeição de Toffoli e convocou uma reunião de emergência c om todos os dez ministros da Corte. Acuado por todos os lados, Toffoli anunciou que deixará o caso.
Seu gesto pode até ajudar a aliviar a pressão momentânea sobre Toffoli, mas não afastará o risco de impeachment, uma vez que as investigações irão continuar, sob o comando de outro relator. Além disso, o risco de o caso respingar na eleição presidencial e no presidente Lula continuará grande, dizem Duda Teixeira e Wilson Lima em “O problema Toffoli”, a reportagem de capa de Crusoé.
Outros destaques de Crusoé
Em “Carnaval sem saidinha”, Duda Teixeira mostra como a saidinha de presos no Carnaval está com os dias contados em vários estados do Brasil.
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, anunciou no início de fevereiro que suspendeu a saída temporária de detentos durante o Carnaval no estado. A prática existe desde 2024 no estado. Na cidade de São Paulo, a vereadora Cris Monteiro, também do Novo, protocolou um ofício pedindo para que a capital paulista adote medida semelhante.
Colunistas
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Nesta edição, escrevem Rodrigo Prando (Está surgindo o “kassabismo”?), Márcio Coimbra (Trump dribla a ONU e acerta os Brics), Wilson Pedroso (O intervalo que não foi só show), Leonardo Barreto (O dilema do centro), Letícia Barros (Trump, Maduro e os limites da soberania), Clarita Maia (A ideologia do atraso), Dennys Xavier (O escândalo do sofrimento: animais importam), Josias Teófilo (A universalidade da experiência artística), Roberto Ellery (A escala 6×1 e a redução da jornada) e Rodolfo Borges (Ética a Andreas).
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