Josias Teófilo na Crusoé: Theatro Municipal apresenta projeto Oruam Sinfônico
O problema de abandonar a arte para abraçar critérios extra-artísticos
A Orquestra Experimental de Repertório adentra ao palco do Theatro Municipal de São Paulo. É aplaudida.
Entra o spalla, que também é aplaudido. Por fim, entra o rapper Oruam. Ele é ovacionado pelo público, que lota o teatro.
Logo, pega o microfone e entoa a canção “antes de pensar em matar / tem que dar educação / falta de opção fez vários menorzin formar na boca”. A orquestra o acompanha, com arranjos do compositor Jorge Antunes.
Trata-se de mais um concerto do projeto Revelando Brasis Periféricos, produzido pela Sustenidos Organização de Cultura, com patrocínio da Prefeitura de São Paulo.
O cenário que descrevi acima é fictício, mas não chega a ser distante da realidade. Na verdade, parece ser o caminho natural do que vem sendo feito no teatro.
Com a gestão da Sustenidos, que nunca teve a experiência de gerir um espaço de música clássica ou ópera, toda a programação foi baseada em critérios extra-artísticos: desconstrução de obras importantes do repertório tendo em vista a militância identitária (como O Guarani de Carlos Gomes), prostitutas no palco contra a putofobia na ópera Maria de Buenos Aires, ópera Nabucco com manifestação a favor da Palestina Livre.
Já colocaram uma moto andando no meio da plateia. Só tá faltando mesmo o Oruam.
E nada representa melhor a ideia que se tem da periferia, hoje em dia, que Oruam.
Ele é a voz de uma juventude que se diz marginalizada, tem imagem provocadora que se espera de um artista, é engajado em causas sociais.
Existe uma redução do fenômeno cultural que opõe o funk (e o seu derivado, o trap) como a música de periferia e a música clássica como música das elites.
Tal redução é totalmente falsa e não se sustenta, como já escrevi neste artigo para Crusoé.
A maior parte dos músicos de orquestra hoje em dia vem de projetos sociais na periferia e favelas. O Instituto Bacarelli recentemente inaugurou uma sala de concerto projetada pelo arquiteto da Sala São Paulo na favela de Heliópolis.
Já Oruam, por sua vez, anda de carro de luxo, ostenta…
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