Dennys Xavier na Crusoé: O eclipse da liberdade
O ideal que exigia coragem, vigilância e responsabilidade, passou a ser apresentado como fator de instabilidade, obstáculo ao progresso e ameaça à ordem pública
Um dado revelado este ano pela ONG Human Rights Watch escancarou uma verdade que muitos preferem ignorar: 72% da população mundial vive sob regimes autoritários.
E mesmo na parte mais “livre” do mundo, os sinais de degeneração da liberdade são evidentes e preocupantes.
Essa informação, longe de ser um mero registro quantitativo sem efeitos para a existência cotidiana, evidencia um estado profundo de degeneração moral e política.
Indica que a liberdade, outrora fundamento do ideal humano e civilizacional, tem sido substituída por uma arquitetura global de controle, planejamento e domesticação.
A liberdade deixou de figurar como eixo da cultura política para converter-se em anomalia tolerada em poucas regiões e em linguagem cada vez mais decorativa no discurso das instituições.
A liberdade, entendida como autodeterminação racional, como capacidade de o indivíduo dispor de si mesmo e de sua ação em consonância com sua consciência, foi sendo retirada dos horizontes da vida comum.
Progressivamente, transformou-se em conceito esvaziado, domesticado por linguagens institucionais, deturpado por tecnocracias jurídicas e diluído em retóricas estatais que exaltam direitos coletivos sem reconhecer o fundamento moral do indivíduo.
O ideal de liberdade, que exigia coragem, vigilância e responsabilidade, passou a ser apresentado como fator de instabilidade, obstáculo ao progresso e ameaça à ordem pública.
“Não se preocupem tanto com liberdade, liberdade é se submeter à pessoa ‘certa’!”
A engenharia política contemporânea opera com refinamento e paciência. Os instrumentos de dominação já não se valem da brutalidade escancarada; não é mais necessário apelar à coação pura e simples.
Basta uma saturação normativa, a anestesia discursiva e o esvaziamento simbólico dos valores. A censura é conduzida por algoritmos e filtros de admissibilidade; o dissenso é administrado por comitês de linguagem; o pensamento é previamente enquadrado por protocolos de civilidade e inclusão.
A violência do novo autoritarismo está na lógica…
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Comentários (2)
Ita
07.02.2026 10:02Estamos aqui, para onde vamos???? e nossos descendentes??
Rosa
07.02.2026 09:28Nossa, 100% certo. Pobre da geração atual e da que está por vir.